Frase de Daniel Avancini Araujo
Início do Fim A morte não é um golpe final, nem o apagar abrupto de uma chama que ardeu em vão. Ela começa no primeiro sopro de vida, como um murmúrio ancestral gravado na espinha dorsal do tempo, uma promessa silenciosa de que tudo que nasce traz em si o prenúncio de partir. Somos nós quem tenta adiá-la ou apressar sua chegada, como se a permanência fosse um direito herdado, como se o fôlego fosse posse de quem o exala, esquecendo que o ar é só um empréstimo da eternidade. Entre o nascer e o desfolhar da última pétala, somos intérpretes falhos de um roteiro traçado pelas mãos do acaso, dançando na corda bamba do existir, prolongando cada passo como se a terra não estivesse sempre a um deslize de nos tragar. A morte não é antítese da vida, mas sua sombra inseparável, um vulto paciente que nos acompanha até o instante em que já não há mais corpo para projetá-la, quando o vazio, enfim, reivindica o espaço que sempre lhe pertenceu, e nós, como poeira, nos dissolvemos no ventre do universo.
No pensador.ai desde