Pular para o conteúdo

Frase de Marco A Moreira Cardoso (Marco Arawak)

Saudade: a sincronia entre quem fomos e quem somos. A saudade não é um ponto no mapa, é uma órbita. A gente tenta separar o que sente, a falta do lugar, do tempo, da pessoa, como se fossem gavetas fechadas na alma. Mas isso é só uma ilusão, um jeito de tentar controlar a imensidão do que nos habita. A verdade é que tudo está ligado. O lugar é o corpo da memória e o tempo é o seu sangue. Não dá para puxar um desses fios sem que a cena inteira se mova. O espaço é apenas o palco onde a nossa essência aprendeu a respirar. Quando voltamos a um lugar que nos marcou, o choque não vem das paredes, mas da nossa própria memória tentando reconstruir quem fomos ali. A gente não sente só a falta de quem esteve lá; a gente sente falta da frequência daquela luz, daquele instante, da pessoa que a gente era antes do mundo nos mudar. A memória não é uma estante de livros parados, é uma força viva que, toda vez que olhamos para trás, reescreve quem somos agora. A nossa identidade é o mosaico dos rastros que deixamos. Somos a soma de todos os lugares onde um dia nos sentimos inteiros. Essa conexão é o que sustenta a vida. Cada pessoa que nos tocou, cada cenário que habitamos, mudou o nosso desenho interno de forma irreversível. A saudade, então, deixa de ser lamento pelo que passou e vira um exercício de alinhamento. É a nossa tentativa de encaixar no presente os pedaços de um sistema que, embora espalhado pelo tempo, ainda nos define. A dor que a gente sente é apenas o preço da nossa própria evolução. Quem não sente falta, provavelmente nunca esteve realmente presente. Precisamos ter sido todos aqueles outros para ser quem somos hoje. A saudade é a prova viva de que o passado não morreu, ele é o combustível que nos ancora no agora. É aceitar, com um pouco de melancolia, que somos um sistema imenso, mas que a vida nos impõe a solidão de não conseguir habitar todos os nossos eus de uma só vez. Nesse ponto, a saudade ganha um novo significado. Se a vida é essa colcha de retalhos, a gente não deve tentar apagar o que já foi, mas aprender a sincronizar tudo. Evoluir não é descartar o antigo, é alinhar essas frequências para que a gente possa caminhar como uma unidade, consciente e inteira. A saudade não é um fim; é o sistema, enfim, se reencontrando. @marco.arawak

Marco A Moreira Cardoso (Marco Arawak)

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Marco A Moreira Cardoso (Marco Arawak)

Nossas Mãos O tempo passa a correr e nos obriga a ver que a armadura pesada deixou de valer. O que nos resta — e o que nos basta — é continuar a apertar firme aquela mesma mão que nos susteve no topo do sol e no fundo da tempestade que afasta. Chegamos à maturidade plena da alma…
Continuar lendo

Nossas Mãos O tempo passa a correr e nos obriga a ver que a armadura pesada deixou de valer. O que nos resta — e o que nos basta — é continuar a apertar firme aquela mesma mão que nos susteve no topo do sol e no fundo da tempestade que afasta. Chegamos à maturidade plena da alma, onde a defesa cede à calma e o controle do destino nos dissolve numa cumplicidade. É um amor que despiu todos os medos, cruzou as eras sem segredos e transformou a calmaria do outro na nossa única, inegociável e definitiva morada, sem espaço para outro enredo. Porque tentar respirar e viver longe de tudo isto é, no limite mais cru do instante, caminhar infinitamente sem direção. Marco Arawak