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Frase de Carlos de Castro

TRÂNSITO NA PASSADEIRA DA MORTE ⁠Ensinaram-me a andar, Atento e devagar, Para não ser atropelado Nem atropelar Quem se cruze no fado Comigo, Mesmo em único sentido Na vida. Senhor, com tanta brida, Nem se respeitam sinais Nem prioridades, Tantos mortais senhores de nada Que querem fazer da estrada A coutada dos seus ruins ideais! Têm cara de demónio O único prazer património Que querem auferir na vida, É matar gente já sofrida. Ontem, pela manhãzinha, O sol raiava pela fresquinha E eu meti pés ao caminho Para aspirar a vida de mansinho. Alguém em potente máquina de matar Quem na frente deles se atravessar, Me ia levando inutilmente pelo ar, Como já morto e inerte passarinho. Salvou-me alguém lá dos céus, Que mesmo sem ouvir os brados meus, Deu-me a força de me atirar à valeta Em voo rasante, como em tempos, De tantos outros contratempos, Eu, como uma leve borboleta, Pousava e saltava sem parar Sempre que me queriam matar. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-07-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)