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Frase de Priscyla Marques

Shakespeare & eu “Aceito”. Foi essa a palavra que deu início à primeira estrofe de minha vida ao lado de Ana Judite. E, talvez (pensando bem) tenha sido esta mesma palavra que tenha selado meu acordo com a infelicidade. Era tão jovem, ela! Seus olhos não eram azuis. Muito pelo contrário: eram pretos e arredondados. Olhos de boneca, certamente. No entanto, não foi isso que achei logo que a vi. Da primeira vez, não senti todas aquelas coisas que são ditas como “sintomas de amor”: não senti as pernas tremerem (nem mesmo as mãos); não senti o suor escorrendo desenfreado pelo rosto; meus lábios não ficaram secos e, o mais importante, meu coração não acelerou. Achei-a muito sem graça. Num outro dia, a vi sentada, em um banquinho da praça chorando lastimavelmente. Aproximei-me. -Tudo bem? -Por acaso se chora feito uma louca quando se está tudo bem? -Realmente, foi uma pergunta sem sentido. É claro que não está bem... -Que idiotice... -O que? -Você! Não sabe nem o que falar. -Garotinha com personalidade você, hein? Gostei. Ela então soltou o sorriso mais lindo que já havia visto em toda minha vida e falou: -“Fortes razões, fazem fortes ações!” Shakespeare! -Hum... Conheço. Legal, ele. -Ele morreu há mais de 200 anos. -Sério? Triste isso, não é? Conversamos como se o dia tivesse mais de 24 horas. Daquele dia em diante tivemos vários encontros, a fim de jogarmos conversa fora. Logo fui percebendo que Ana Judite não era “sem sal”- ela tinha o tempero na dosagem certa para minha fórmula do amor perfeito. Nosso relacionamento teve muitos altos e baixos, mas, ao fim de quatro anos de namoro, finalmente iríamos nos casar. Eu já havia me tornado um verdadeiro perito em Shakespeare e, nas horas que não a via, era ele quem me acompanhava com suas mais que perfeitas tragicomédias. “Aceito”. Sim, ela aceitou estar comigo na doença e na tristeza, na riqueza e na pobreza... Até que a morte nos separasse. No entanto, uma frase não constava no “contrato”: a de estar comigo na sanidade e na loucura. Foi como um “click”. Acordei mais cedo do que de costume, pois tive uma daquelas crises de insônia devido ao elevado nível de estresse no trabalho- às vezes até esquecia-me qual a data. Judite não estava em casa. Então logo cogitei a possibilidade de ter ido à padaria. Espreguicei-me, escovei os dentes e fui até a cozinha. O café-da-manhã estava posto. E na geladeira havia um bilhete que dizia: “Fui até a casa de minha irmã. Irei ajudá-la a fazer compras. Não demoro. Beijos, Judi. ♥” A irmã dela estava grávida; e preocupado fui até sua casa. Caso precisassem do carro, eu estaria lá. Quem me recebeu foi a própria Laura, com a barriga quase que insustentável. -Vocês ainda não foram? -... Para onde? -Fazer compras. -Ah! O Mário foi com a Judi. Não estou me sentindo muito bem, sabe? -Sei. Então, posso entrar? -Claro. Entre. Laura jogou-se no sofá e perguntou se eu aceitaria um café. Respondi que sim e me dispus a ir pegá-lo. Eu havia esquecido onde ficavam as xícaras e fui abrindo todas as portas dos armários. Mas... A dispensa estava lotada! -Laura, eles irão demorar?- Gritei. -Acho que sim. Falta muita coisa, sabe? Os armários estão praticamente vazios. O Mário disse que falta até açúcar. Não faltava. O açúcar estava lá! Não faltava nada. Não podia ser. Há semanas que a Judite me vinha com reclamações a respeito do cunhado: o chamava de atrevido, insuportável e coisas do gênero. E, de repente, foram juntos fazer compras que não eram necessárias. Senti-me um completo idiota. Só poderiam estar tendo um caso. Pedi desculpas e disse à Laura que voltaria logo. Despedi-me. Quando estava na metade do caminho para o supermercado, parei ao sinal. Até que uma mulher veio em direção a meu carro. Era uma das amigas dela. -Oi Júnior!- disse sorridente- vai rolar o que hoje? -Como assim? -Ué! Eu acabei de ver a Judi com um amigo, comprando uma montanha de cervejas! Fiquei meio sem jeito. E disse irônico: -Vai rolar o maior espetáculo. Estava de cabeça quente e resolvi não ir ao trabalho. Fui para casa. Chegando lá, a porta estava aberta. Na cozinha estavam os dois. Rindo, bebendo cerveja. Ela então se virou e fez uma cara de quem parecia ter visto um fantasma. -Ju... Júnior! Você não trabalharia até tarde, hoje? -Surpresa? -Muito- disse, desconfiada. -Mário, você quer sair daqui, por favor? -O quê?- disse Mário. -Eu te disse para sair agora! -Mas, Júnior, o que está havendo? -Droga Mário, você deve estar achando que sou burro. Saia agora! Quero falar a sós com ela. Mário atendeu ao meu pedido. -Isso é jeito de tratar o meu cunhado; e que eu saiba, seu amigo? -AMIGO? Amigos por acaso o apunhalam pelas costas? -Que conversa é essa? O que ele fez? -Não se faça de desentendida, meu amor! -É... Eu não acredito amor. Já entendi: você ficou com ciúmes não é? Você realmente acha que eu o escolheria ao invés de você? -“É comum perder-se o bom por querer-se o melhor”. -O que aconteceu Júnior? “Algum desgosto prova muito amor, mas muito desgosto revela demasiada falta de espírito!” Lembra? No fundo você sabe que não é nada disso, amor. Senti-me sem chão. Pode parecer piegas, mas foi exatamente assim que me senti. Como alguém a quem tanto amava pôde me trair de tal forma? E, num piscar de olhos, minhas mãos estavam manchadas por uma das tintas que dispunha em minha aquarela. Tinta esta, de cor “quente”. Um vermelho sem igual. Mas, não pude compreender porque Judite; minha querida Judi se encontrava caída ao chão, rasgada como que por garras de um grande felino. E muito menos o porquê de estar pintada, abstratamente, com a mesma tinta que lambuzava meus dedos. Afastei-me de seu corpo a fim de achar pistas. Ao abrir a geladeira pude ver uma caixa e nela havia um bolo acompanhado de um bilhete que dizia: “O destino é o que embaralha as cartas, mas somos nós que a jogamos...” Feliz aniversário. Com amor, Laura, Mário e Judite (sua Judi) ♥” “Ser ou não ser- eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar em armas contra o mar de angústias e combatendo-o dar-lhe fim? Morrer; dormir; só isso. E com o sono- dizem- extinguir dores do coração e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita; eis uma consumação ardentemente desejável.”

Priscyla Marques

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Hey, “amor da minha vida”. Você bem que poderia aparecer hoje não é? Hoje é um dia bom pra se apaixonar. Digo: hoje é um bom dia para “o amor da minha vida”, “aquele cara que Deus guardou pra mim” aparecer.
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Hey, “amor da minha vida”. Você bem que poderia aparecer hoje não é? Hoje é um dia bom pra se apaixonar. Digo: hoje é um bom dia para “o amor da minha vida”, “aquele cara que Deus guardou pra mim” aparecer. Por que hoje? Ah… Hoje não estou tão negativa; estou achando minha pele linda e minha auto-estima está nos trinques! Hoje é um daqueles raros dias em que alguém me pergunta se estou bem e eu respondo com sinceridade “sim, estou”. Quem souber me elogiar, hoje, me leva no papo. Se alguém me pedir com jeitinho, hoje, até fujo pra outro país e mudo de nome. Até estou mais carinhosa hoje. Sim, hoje as crianças até estão me vendo com uma cara melhor. Estilo “rainha dos baixinhos”, hoje as crianças sorriram e pediram favores pra mim, mais que de costume. Só não me deram um doce, porque elas gastam suas poucas moedas com eles, para elas. Hoje subi na ‘beirada’ da varanda do prédio, só pra pegar uma pipa pros garotos que esperavam que ela caísse de cima do telhado. Eles amaram. É hoje. Hoje seria um bom dia. Hoje não estou dando tantos foras como antes. Hoje, “amor da minha vida”, se você chegar na hora certa, até te deixo deitar comigo na rede da varanda e te leio alguns trechos de “Felicidade Clandestina”- se você for mesmo meu amor, vai saber que amo ler para os outros dormirem; crianças ou não. Então vem E eu finjo que não te esperava: Não limpo a casa inteira até o chão brilhar, não coloco meu melhor jeans e nem uso aquele batom incrível que favorece meus lábios carnudos, não compro pizza, não escovo os cabelos e faço até aquela carinha de “o quê?!” com direito a boca aberta. Vem, amor da minha vida! Hoje é um bom dia.

Eu: Mãe, eu tava aqui pensando: no fundo nós, mulheres, não deixamos de ser criança... Mãe: Como assim? Eu:Ah... É que assim como quando éramos crianças, nós costumamos fantasiar o futuro; às vezes brincamos e até pensamos que um salto alto faz de nós "gente grande". Mas, o pri…
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Eu: Mãe, eu tava aqui pensando: no fundo nós, mulheres, não deixamos de ser criança... Mãe: Como assim? Eu:Ah... É que assim como quando éramos crianças, nós costumamos fantasiar o futuro; às vezes brincamos e até pensamos que um salto alto faz de nós "gente grande". Mas, o principal: tentamos 'brincar' com os meninos, mas eles acabam nos machucando. Porque as meninas levam a brincadeira tão a sério, que chegam a achá-la real. Mas os meninos, mãe... Eles sempre acabam deixando tudo pela metade. Mãe: Minha filha... Aprende que sempre vai ter um idiota que não vai entender seu amor por ele. Aprende, que talvez doa menos.

As pessoas preferem achar que sou dramática ao invés de aceitarem que estou na solidão e elas contribuíram pra isso. Não é depressão[a maldita doença do século], nem frescurite e muito menos tentativa de chamar atenção. Só acho que as pessoas não aceitam que você se sinta desgraç…
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As pessoas preferem achar que sou dramática ao invés de aceitarem que estou na solidão e elas contribuíram pra isso. Não é depressão[a maldita doença do século], nem frescurite e muito menos tentativa de chamar atenção. Só acho que as pessoas não aceitam que você se sinta desgraçadamente só, mesmo tendo ‘tudo’ o que quer. Há uma porção de coisas que precisam saber sobre mim para entenderem porque fujo e volto tantas vezes de algo- o que quer que seja.É muita ousadia…. Vejam só: sabem o meu nome e acham que conhecem toda minha vida e minhas dores.

Que se danem os astros! Não dá pra te amar em uma noite e na manhã seguinte tentar me convencer de que foi só mais uma casualidade. Porque daqui a algum tempo- talvez quando eu estiver tomando café, ou daqui a dez anos, enquanto espero o sinal abrir, vendo uma fila enorme de car…
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Que se danem os astros! Não dá pra te amar em uma noite e na manhã seguinte tentar me convencer de que foi só mais uma casualidade. Porque daqui a algum tempo- talvez quando eu estiver tomando café, ou daqui a dez anos, enquanto espero o sinal abrir, vendo uma fila enorme de carros em minha frente- eu vou lembrar de você. Porque nada é tão casual, tão fútil, que não seja lembrado em algum momento- mesmo que rapidamente. Não me leve a mal. Não estou dizendo que você se compara a coisas fúteis... Só estou tentando te explicar, que a sua lembrança será inevitável. E que, mesmo que não seja nada romântico, eu sei que há grandes chances de que um dia nós possamos nos separar por um motivo qualquer, tão menor que o nosso sentimento. Você entende, agora? As pessoas cometem erros e esses erros, na maioria das vezes, levam algo que elas amam. Seja lá o que for. Outro dia uma amiga pôs baralho para mim e as cartas diziam que uma pessoa iria entrar na minha vida e me transformaria. Seria um grande amor. E o que achei? Terrível! Por que, eu já te conhecia, você já estava em minha vida. Eu não quero nenhum grande amor que não seja o seu. Eu queria tanto poder mudar tudo isso, mandar o futuro amor pro espaço... Por isso quero que você saia daqui agora. E o que tudo isso tem a ver com te amar em uma noite e tudo o mais? Bem, como já disse, sua lembrança será inevitável. E eu tenho tanto medo de que você se torne só uma daquelas lembranças ‘rápidas’... Por isso eu prefiro acreditar que eu posso mandar no meu destino. Portanto saia já daqui. Mas depois volte correndo pra mim e me fale de todas as coisas que você não me falou. Eu vou querer saber muito sobre a mulher que acaba de entrar em minha vida. Percebe? Você estará entrando novamente em minha vida. E eu terei a sorte de te amar mais uma vez. Tudo é cíclico. E é nessas palavras, talvez meio bobas, que meu amor mora e me trás sempre de volta até você. É isso o que nos une: o amor. E que se danem os astros! Então vem, amor. Eu finjo que não esperava.