Frase de Salvador Espriu
Os homens não o podem ser se não forem livres.
No pensador.ai desde
Os homens não o podem ser se não forem livres.
No pensador.ai desde
À beira do mar. Tinha uma casa, o meu sono à beira do mar.
À beira do mar. Tinha uma casa, o meu sono à beira do mar. Alta proa. Por livres caminhos de água, a esbelta barca que eu governava. Os olhos sabiam todo o repouso e a ordem de uma pequena pátria. Como necessito contar-te o espanto que produz a chuva nos vidros! Hoje cai fechada a noite sobre a minha casa. As rochas negras atraem-me ao naufrágio. Cativo do cântico, o meu esforço, inútil, quem pode guiar-me à alva? Ao pé do mar tinha uma casa, um lento sono.
Às vezes é necessário e forçoso que um homem morra por um povo, mas nunca há-de morrer todo um povo
Às vezes é necessário e forçoso que um homem morra por um povo, mas nunca há-de morrer todo um povo por um só homem: recorda isto sempre, Sepharad. Faz que sejam seguras as pontes do diálogo e tenta compreender e estimar as razões e as falas várias dos teus filhos. Que a chuva caia a pouco e pouco nas semeadas e o ar passe como uma mão estendida suave e mui benigna sobre os vastos campos. Que Sepharad viva eternamente na ordem e na paz, no trabalho, na difícil e merecida liberdade.
Prometeu O sonho de liberdade tornou-se a cadeia que me liga já para sempre ao meu canto doloroso.
Prometeu O sonho de liberdade tornou-se a cadeia que me liga já para sempre ao meu canto doloroso. Compadeci-me dos homens, da fria tristeza do estranho tempo dos homens enterrados na morte, e lhes trazia cristal e ardor de palavras, luminoso nome que dizem os velhos lábios do fogo. Águia, vinda do nascimento da luz, de onde vês como é concebida a brancura da neve, busca, para a luz, a mais secreta vida: pelo sol, palpitante, toda a nua vida. Abrirás com o bico eternamente caminhos ao sangue que ofereço como a prova deste dom.
Chuva De nenhuma parte chega. Partir? Não há palavra mágica que rompa
Chuva De nenhuma parte chega. Partir? Não há palavra mágica que rompa este costume de olho, este silêncio sonoro de dardos. A primavera, o luxo dos anos e da luz, se perdia agora no caminho vencido. As esperanças morreram a tempo. De novo, tudo é perfeito ao longo do vazio: a chuva lenta não vai a parte alguma.