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Frase de NandaaGoncalves

Foi no silêncio que você deixou de ouvir a própria voz, abrindo mão do seu espaço para caber no mundo de alguém. Você se apequenou até virar sombra, esquecendo que o seu universo nunca coube na mão de outro alguém. Colocou no pedestal um espelho de ilusão, e entregou a chave do seu templo a quem não sabia cuidar. A queda foi alta, o chão foi duro, e o coração se partiu em mil estilhaços pelo ar. Há quanto tempo você não caminha a sós com os seus passos? Há quanto tempo não olha para o céu sem buscar outro olhar? Na urgência de amar o outro, você se abandonou no caminho, e deixou os seus próprios sonhos poeira acumular. Agora o peito pesa com essa pergunta que ecoa na alma: *Como fui capaz de me esquecer assim?* Mas não carregue a culpa do abandono como uma sentença final, pois o deserto também é o lugar onde nasce o recomeço do fim. Não corra para outros braços, não procure outro refúgio no escuro. A cura que você busca não está em mãos alheias, mas na sua reconstrução. Recolha cada pedaço dilacerado do chão, pois cada caco ainda guarda a força da sua própria essência. Para onde ir agora? Para dentro de si mesma. O que fazer? Voltar a se habitar. Descer desse pedestal emprestado, estender a mão para a sua própria dor e aprender, de novo, a se amar. Você não se perdeu para sempre; apenas se distraiu da sua luz. É hora de sair sozinha, encarar o vento e retomar o seu lugar.

NandaaGoncalves

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Pensador.com

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Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado, e nessa febre que arde em silêncio me lembro do teu cuidado. Você fazia um chá de laranja com um jeito que só você tinha. Nem era só o sabor, era o calor da tua mão na cozinha. Era doce, era forte, era cura, e eu, doente, me rendia. Hoje faço igual, passo a receita, mas nunca fica como naquele dia. Falta o modo como mexia a colher, a pausa pra ver se estava bom, o carinho que você punha antes de me entregar na xícara o dom. Agora, só sobra o silêncio e a saudade em infusão. O chá não cura, só lembra o gosto da tua proteção.

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Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos… e o tempo, cúmplice, desacelerou, como quem insiste em eternizar um adeus. Teus cabelos negros, em suaves espirais, os lábios entreabertos, quase um sinal… os olhos castanhos, profundos demais, e eu… me vi neles, frágil, mortal. Por um instante, meu peito incendiou, a chama antiga, que ainda respirava, mas o passado, cruel, logo soprou… e o fogo, sem força, se apagava. O tempo então retomou seu compasso, meu coração, trêmulo, quis te chamar, mas restaram só lágrimas, em silêncio escasso, e a mentira que tentei me contar: — "Isso é passado." Mas quem eu quero enganar… se teus olhos ainda sabem me quebrar?

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Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente, vestígios de dias já idos, que o tempo levou… lentamente. Há risos que ainda se escondem nos cantos, e passos que o chão já não guarda, rostos sumindo em retratos cansados, num tempo que nunca mais tarda. Tocava teu nome com dedos de sol, num mundo onde o céu era perto, agora só vejo o vulto do ontem, num espelho partido e deserto. As lembranças vêm como maré, invadem, consomem, machucam, e eu, náufrago de mim mesmo, nas ondas do que já foi, me afundo e sucumbo. Se pudesse, voltava no tempo, pra dizer o que o silêncio calou, mas memórias não têm retorno… só cicatrizes que o peito guardou.

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⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava. Teu riso era abrigo, onde minha dor se calava. Andávamos entre promessas com a leveza dos que acreditam. Mãos dadas, almas nuas, no silêncio em que os corações gritam. Mas o tempo, esse ladrão discreto, roubou os minutos mais doces. E o que era eterno em nós se perdeu em caminhos tão tolos. Guardei tuas cartas no peito, com cheiro de tardes antigas. E às vezes, sem que eu queira, meus sonhos ainda te digam. Não por falta de amor, mas por excesso de destino, fomos dois versos soltos, no meio de um mesmo hino. Hoje, te vejo nas esquinas onde a memória se esconde. E amo o que fomos um dia, com a ternura de quem não responde. Porque amar também é deixar, e seguir com cicatrizes sutis. Alguns amores não ficam… mas permanecem — e nos fazem mais gentis.