Frase de Valdir Enéas Mororó Junior
Nascidos fomos, sob um céu de cinza e bruma, Com a exata medida para a dor sem fim. Duas metades buscando a mesma espuma, Um laço trágico tecido em linho carmim. Desde o primeiro olhar, a alma reconheceu O espelho partido, a sua parte ausente. Mas o destino, em escárnio, interveio, Deixando a chama acesa, mas fria e renitente. És meu avesso, a chave que a dor contém, A prova viva de um amor que não se finda, Mas entre nós, a sombra, o que convém, O grito mudo de uma estrada que se cinda. Melancolia em cada suspiro teu que ouço, Tristeza funda em cada passo meu que dou. Somos a tragédia do mais puro poço, Onde a água clara nunca se encontrou. Ah, esta união de almas, dramática e amarga, Que nos condena ao longe, ao eterno anseio. Uma febre que arde e que a vida embarga, Um abraço negado, morrendo em meio ao meio. E assim seguimos, dois espectros em conflito, Ligados pela dor, não pelo doce intento. Um poema de pranto que jamais foi dito, O eco que restou de um amor sem sustento.
No pensador.ai desde