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Frase de Pedro Amancio

PÁSSARO SELVAGEM Por P. H. Amancio. A quem eu pertenço? Para onde vou eu, se quem eu escolhi jamais me escolheu? Por onde caminho, o que me faz ser eu, se tudo o que desejo só encontro nos braços de Morfeu? Tira-me das amarras, deixa-me voar, pássaro selvagem, só o vento sabe onde está. Veja-me sem medo, com vontade de errar; se um dia me quiser, precisará me alcançar. Numa queda livre, encontro-me perdido, as asas que eu tenho já nem fazem sentido. Salto pelos muros, digo ao mundo: “Aí vou eu!”, correndo atrás daquilo que um dia deveria ser meu. Engano-me sempre naquele canto ao deitar, inventando histórias de amor que minha história não terá. Vento, ventania, na janela vem lembrar: quem é natural não precisa se encontrar. Talvez eu não pertença a lugar algum, talvez meu destino seja não pertencer. Talvez amar seja correr sem saber de onde, e ser livre seja nunca precisar se prender. E se um dia alguém me encontrar pelo caminho, que não tente me mudar, nem me ensine a ficar. Que apenas caminhe comigo por algum tempo, porque pássaro selvagem não nasceu para pousar.

Pedro Amancio

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