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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

A SALVAÇÃO PELA ARTE Demétrio Sena, Magé - RJ. Neste momento em que me dedico à exposição SÔNIA & GABI A CORES, constato o que sempre soube: o quanto as artes agregam, não importa se artes plásticas, dança, dramaturgia, música ou artes literárias, pois como escritor, forço a barra e classifico literatura como arte. Já visitaram a exposição de Sônia Monteiro e Gabriela Boechat, pessoas de quase todas as "tribos": negros, brancos e descendentes de índios; católicos, evangélicos, umbandistas e ateus; pobres, ricos e nem tanto; pessoas cultas e analfabetas; estas e aquelas outras misturas... pessoas; seres humanos. Em outros ambientes, isso não acontece, porque determinadas pessoas não podem entrar ou porque até podem, mas não ficariam à vontade; seriam tratadas ou simplesmente se sentiriam como seres de outro planeta; inadequados; peixes fora d´água. Estamos em um momento crítico de país. Quando as forças politicas ora dominantes querem acabar com as artes... primeiro, por meio da censura seletiva. Depois, com o tiro de misericórdia que as eliminará por completo, restando apenas a imposição das anti-artes de cunho sacro; gospel; de ideologias duvidosas, exatamente pela imposição; a censura; o arbítrio forçado... a força e a violência, contrariando a Bíblia invariavelmente utilizada para justificar a truculência de um projeto tirano de poder que remete à inquisição. Nada é mais salvífico para o ser humano, do que as artes. Elas agregam, congregam, enquanto a política, a religião e a sociedade puramente mercadológica segregam, buscando a unificação que lhes favorece, desfavorecendo aos demais; que lhes empodera, enfraquecendo aos que devem ser vencidos, em sua opinião ditatorial. Em torno das artes, a pessoa se une despida e livre de qualquer nominata ou rótulo, pois o ser humano é mais do que política ou religião; etnia ou classe social; berço e gênero; prestígio e fama; brasão, escolaridade, aparência, seja lá o que for que se interponha onde nada importa mais do que a verdade íntima, pessoal e intransferível de cada um, que não deve se sobrepor à do o outro. Quando a arte nos une, o próximo é mais próximo do que em qualquer outro ambiente; sobretudo a igreja, que se tornou agência terrena definitiva do poder público em toda a sua tirania. Falo da igreja como um todo; como agência ou ajuntamento; corporação... não como crença individual; fé pessoal; sinceridade mística de cada fiel verdadeiro que se permite o enfrentamento da má fé e a corrupção denominacional - ou institucional - proposta pela maioria dos líderes religiosos atuais em parceria com os poderes políticos; econômicos; sociais. Grato a Sônia e Gabi, que me proporcionam a dádiva deste ambiente que respira arte... que me concede a chance de organizar a mente, a alma e os instintos para tecer tais reflexões que me renderão ataques pelos quais aumentarei a forte impressão (não sou de certezas) de que meu pensamento bate com a verdade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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Pensador.com

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.