Pular para o conteúdo

Frase de umabeatriz

⁠Beatriz Do latim beatus, feliz, aquela que traz felicidade, aquela que faz os outros felizes. Ela leva. Para todos. Mas quem traz a ela? Não é sobre quem vai. É sobre quem permanece. E quem está? Ninguém.

umabeatriz

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de umabeatriz

⁠Brinquedo na Prateleira Ele não puxou minha corda quando me devolveu à prateleira.
Continuar lendo

⁠Brinquedo na Prateleira Ele não puxou minha corda quando me devolveu à prateleira. me devolveu depois de uma sucessão de pequenos naufrágios. Ah, você precisava ver quando ele me escolheu pela primeira vez. O brilho febril nos olhos, o desejo tonto, a vergonha em pedir, o orgulho pueril de quem compra o brinquedo mais caro com o pouco dinheiro que lhe resta. Ele não puxou minha corda ao me devolver. Mas puxou ao me tirar da caixa, ao me apresentar o seu mundo torto, ao me levar para casa e me usar como alívio para os seus dias cinzentos. Quando ele puxava minha corda, lá estava eu: risonha, leve, palhaça, encantava, distraía, seduzia, amava. As palavras que escapavam de mim já não eram gravações de fábrica, eram preces, eram carne, eram pedaços do meu peito. E assim, entre uma brincadeira e outra, fui deixando de ser boneca, fui virando companhia. Mas logo depois da segunda vez, em que eu brinquei com ele, veio a troca. Outro modelo. Outro encanto. Novidade de prateleira. Quando eu precisei que ele fosse meu Ken, não havia mais palavras doces. Fui esquecida num canto empoeirado do seu quarto, da sua mente, da sua vontade. Eu, que um dia iluminei seus olhos e embriaguei seus sentidos, fui reduzida a objeto obsoleto. Não mais capaz de entreter, não mais digna de afeto. Aliás — digna sim. Digna da atenção burocrática, daquela que se dá no fim do dia, por obrigação, quando não há mais coração, quando já se esqueceu o motivo, quando só resta o hábito. Ele me devolveu à prateleira porque eu não era mais útil. E qual a serventia de um brinquedo quebrado? Brinquedos não esperam amor de volta. Servem. São usados. E descartados quando já não entregam resultado. Havia outra. Mais próxima, mais promissora, mais acessível. E o brinquedo que um dia lhe valeu cada centavo, foi devolvido à estante. No instante em que eu mais precisei que ele puxasse minha corda, brincasse comigo, me amasse — como um dia fingiu, ele me largou. Suja. Queimada. Esmagada. A mercadoria esquecida na última fileira da loja de suas memórias.

⁠Há uma dor em sentir dor Por algo que você não buscou. Por algo que você não escolheu.
Continuar lendo

⁠Há uma dor em sentir dor Por algo que você não buscou. Por algo que você não escolheu. Por algo para o qual te convidaram a estar. Eu aceitei. Mas eu nunca pedi para estar aqui. Nunca pedi para estar em lugar nenhum. Somente aceitei. E isso não quer dizer que não amei cada segundo. Que não me entreguei por inteiro. Mas não, nunca pedi para estar aqui. Eu aceitei. E fiquei. Até que você, aos poucos, usou os silêncios, os intervalos, os espaços. Fez acontecer sem aviso. Sem coragem. E eu, mais uma vez, aceitei.