Frase de SaulO SantiagO
Em Dobro, a Troco de Nada Costumo dizer que desejo em dobro tudo aquilo que desejam para mim. Alguns recebem a frase como gentileza. Outros ficam em silêncio, desconfortáveis, como se tivessem sido chamados a prestar contas. Talvez porque desejar em dobro seja leve quando a intenção é boa, mas pesado quando carrega inveja, julgamento ou maldade disfarçada. E a verdade é que, muitas vezes, as pessoas sentem inveja a troco de nada. O outro não fez mal, não prejudicou, não passou por cima de ninguém. Ainda assim, a tal “alma divina” decide que não foi com a cara de alguém. É nesse ponto que a pergunta surge, inevitável: em quem, afinal, está o defeito? O mal nem sempre nasce de uma agressão direta. Às vezes ele nasce do incômodo que o outro causa só por existir, por seguir o próprio caminho, por não pedir permissão para ser quem é. Então vêm as falsidades, os prejuízos silenciosos, os desejos ruins guardados no pensamento — tudo a troco de nada. Como se não bastasse, vivemos cercados de opiniões não solicitadas. Opiniões que não querem ajudar, mas invadir. Quando confrontadas, recebem um nome bonito: crítica construtiva. Na prática, é apenas a forma maquiavélica de rebaixar alguém enquanto se finge nobre. Quem realmente quer construir, pergunta. Respeita. Espera ser convidado. O resto é vaidade moral, é a necessidade de se sentir acima porque não conseguiu fazer as pazes consigo mesmo. O que muitos esquecem é que intenção também pesa. O mal que se faz em silêncio caminha. O que se deseja, mesmo sem palavras, encontra o caminho de volta. Por isso a ideia do “em dobro” assusta tanto. Ela não ameaça. Ela apenas devolve. No fim, a conta chega. Não por castigo, mas por coerência. E quem vive desejando o mal, invadindo, julgando e diminuindo, um dia se pergunta por que a vida anda tão pesada
No pensador.ai desde