Frase de Virgílio Álvares da Silva
“ ... minha linda São Franciscana, se pisei descalço naquele chão, arrebentado o dedão do pé num toco outro dia, tomado banho pelado num córrego frio; se senti um dia o orvalho da madrugada escorrendo na pele e a brisa fresca cantando nas cavernas das orelhas; se apertei as tetas de uma vaca brava e provei araticum embaixo de um pé de árvore, é porque procurava rumo na escrita da história. Ainda sou devedor da vida, antes de tudo, uma extensão da terra e dela desconfio que sou filho que não se desgrenha e com ela sou verdadeiramente vida como toda mãe propicia. Cortar esse cordão totalmente não consigo, essa ligadura é também essência para viver esta peleja. De guardar tantas recordações e de gostar do que vi, faço este pálido registro, contrariando o que muito se fala e faz neste mundo do asfalto, quando se separa a alma do material – para dar mais valor a este segundo. Lembro aqui enquanto ainda é tempo de confirmar, umas coisinhas de nada, do que vi e vivi na depressão do rio São Francisco, onde sitia-se o sertão do homem-terra ou seria a terra-homem ? Depois sei, mudaram o mundo para longe e mudaram de vez, mas aqui tenho lembranças do amor, mesmo que me encontre um pouco à margem de um novo tempo inaugurado...”
No pensador.ai desde