Frase de Rosana Figueira
"Saudades de um Colo" Quando a mãe se vai, a casa fica grande demais. O silêncio ocupa o lugar do: "filha, comeu direito?" E a gente entende: o colo acabou. Agora eu sou o colo. Sou eu quem mede febre de madrugada, quem faz a sopinha sem receita — só reza e intuição. Sou eu quem adivinha o choro antes que vire soluço. E dói perceber que o jogo virou. Que ninguém vai largar o mundo para segurar minha mão quando a gripe me derrubar na cama. Ninguém vai sentar do meu lado só para eu não me sentir só. Filho ama, claro que ama. Mas filho não desmarca a vida para cuidar da gente. Filho tem pressa. Tem sonho. Tem voo. E mãe… mãe é sempre porto. Nunca destino. A mãe que se foi levou junto o mimo. Levou o "deixa que eu resolvo", o "vem cá que passa", o café na xícara certa, só porque ela sabia. Agora eu sou a mãe. E entendo que mãe nunca muda: mesmo cansada, mesmo doente, mesmo com saudade, a gente abre os braços primeiro. Mas lá no fundo, bem fundo, a menina que eu fui ainda espera. Espera um colo que não volta mais. Espera a sopa que só ela sabia fazer. Espera ouvir: "fica tranquila, eu tô aqui". Mãe não tem mãe. E quando a nossa se vai, a gente vira órfã com filho no braço.
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Pensador.com
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