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Frase de Marcelo Caetano Monteiro

⁠Livro: Não Há Arco-iris no meu Porão. Capítulo 5 — A Flor e o Filósofo no Abismo. A flor estava sentada no limite do porão, onde os tijolos se desfaziam como lembranças mal digeridas. Seus olhos, enevoados de luto prematuro, fitavam o vazio que morava dentro dela — e que não era só dela. Ali, no breu quase simbiótico, surgiu ele: Friedrich, sem o tempo nem a barba. Não como homem, mas como ferida. Trazia no olhar a exaustão dos que pensam demais, e nos lábios o tremor dos que já perderam o direito de acreditar. Ela não se assustou. Ele também não. — “Você também caiu?”, ela perguntou, sua voz como se viesse de um sino partido. — “Não, pequena... eu apenas nunca mais consegui subir.” Ficaram frente a frente, ambos em silêncios que diziam mais do que qualquer aforismo. Ela estendia os dedos manchados de pó e sangue velho. Ele hesitou. Nietzsche sabia o preço de tocar a dor alheia. Mas, ainda assim, quase tomou sua mão. — “Eu carrego dons que doem”, disse a flor. — “E eu carrego verdades que me isolaram de todos”, respondeu ele. Acima deles, os sorrisos vazios dos que acreditam ter vencido a vida tremeluziram como cacos de luz. Mas no abismo, não havia luz — apenas lucidez. E uma flor lutando para sustentar as Notas. — “Eles acham que estou louca… porque ouço o que ninguém mais ouve…” Nietzsche inclinou-se, sua sombra tremendo como um pensamento prestes a ruir. — “Louca? Ah, criança… eu desejei ser louco muitas vezes. Ser louco é menos doloroso do que ver demais. Você não está louca. Você está vendo um mundo que finge ser cego.” Ela não sabia se aquilo a consolava ou a condenava ainda mais. Ficaram ali. Dois seres de fronteira. A flor que não florescia. O filósofo que não acreditava mais na primavera. E, por um instante que talvez nunca tenha existido, tocaram-se. Não com as mãos, mas com a dor que se reconhece.

Marcelo Caetano Monteiro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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" Quem faz e erra aprende mais rápido do que quem apenas observa e aponta falhas. "