Frase de Elisa Bartlett
“Para mim a poesia é um sentimento. Aperte o olhos, relaxe a miopia da vida e veja. Ela paira em todo lugar, no teu colo nas tuas mãos na calma da ilusão na agonia da espera no teu amplo silêncio no teu choro de alegria na agressividade do não na batida forte do coração na liberdade de Kurt Cobain na aceitação da velha solidão na doçura da flor de chocolate na afetividade do velho escrivão na respiração da frase que te toca no apego aos teus livros e canções no deslumbramento aos pés do Cristo na beleza estonteante do garoto punk no civismo melodramático dos sindicatos na demência do assassino na hora do tiro no abalo sísmico da torcida na hora do gol na fuga desesperada daquilo que te acabou na catalepsia da rotina que esmaga e paralisa no domínio do amante te possuindo feito um cão no dengo do terno e demorado abraço pela manhã na cegueira de nossos governantes pobres de espírito na disputa sã por um amor, uma flor, um amigo, um irmão na consciência que o mundo está ruindo bem a nossa frente no embaraço de uma declaração de amor de olhos brilhantes na fragmentação da vida para no final encontrar o teu começo na discórdia sem nexo do mundo diante da minha sexualidade na dignidade do trabalhador as 4 da manhã na estação central no espanto perante a guerra e a destruição de vidas humanas no horror da miséria exacerbada pela dor e alcoolismo do pai no idealismo estampado na bandeira política do teu partido na histeria completa na chegada dos Beatles ao aeroporto na derrota ao ver uma amigo ir embora pra todo o sempre na espiritualidade de Chico Xavier, Buda e Salvador Dali na descrença de estar vivo depois de se sentir um vazio no dilema entre o desejo e a necessidade do dinheiro na empatia vibrante da resposta que te faz pensar no constrangimento do primeiro olhar apaixonado na genialidade das palavras de Chico Buarque no autismo perante a covardia e inexpressão na carência pelo toque, pelo beijo, pela mão na amargura do abandono e da decepção no brilhantismo de um texto bem escrito na tentação pelo errado e inaceitável nas entrelinhas da prosa detalhada na convicção infame da realidade serial killer de nossos sonhos na lágrima que não escolhe na culpa de não estar lá na tua pele cor de chá na temperatura do ar na saudade d’gente em mim, em você solta e imortal. A poesia vive em cada um de nós.”
No pensador.ai desde