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Frase de A. Zarfeg

Escolhas I Como escolher entre O doce e o eterno? O doce que embriaga Como vinho e aperta O coração no momento Mágico da paixão; O eterno que transcende A vida e a morte, Como maná que Aplaca a sede de amar; Como escolher entre O cheiro e o paladar O útil e o agradável O beijo e o inefável? II Como escolher entre O medo e o desejo? O medo que rasga rente Com suas garras e punhais; O mesmo medo que Jamais intimida os casais; O desejo que é dor e Prazer a um só tempo; Apetite ardente mesmo Quando em passatempo; Como escolher entre O riso e o meio-tom O toma-lá e o dá-cá O áspero e o vulgar?

A. Zarfeg

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Pensador.com

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A inspiração é o momento em que os mortais experimentam também – por que não? – o maná dos deuses. Um instante muito especial. Mágico. O conceito de inspiração, contudo, vem mudando no tempo e no espaço. No século XIX, ela “baixava” no poeta – ou melhor, no vate – na forma de espírito, bênção ou dom. De lá para cá, o verbo inspirar ficou mais fácil de ser conjugado. Felizmente, “se inspirar” ficou mais acessível ao eu e ao tu, líricos ou não. Moderno, Fernando Pessoa escreve com a imaginação e não com o coração. Moderníssimo, João Cabral enfatiza a técnica em detrimento do lirismo. Quem vai negar que, à sua maneira, tanto Pessoa quanto Cabral são poetas inspirados e criativos? Certo é que uma boa motivação – que pode vir duma musa, situação ou acontecimento pessoal – ajuda e muito no ato de escrever prosa e, especialmente, versos. Assim, estou convencido de que o texto literário é resultado da equação emoção/técnica, com predomínio desta sobre aquela. Sem vice-versa.