Frase de Flávio Cardoso
Uma nova nota. Pego uma folha, num bloco quase esquecido. E começo um novo texto, algo que penso. Procuro uma nova idéia, num zilhão de pensamentos. O momento certo, tudo me influência. Insetos, folhas de arvores, vejo e lembro momentos. Lembro das pessoas importantes, escritores, pensadores. Algo que complete o meu novo texto. Do qual ainda nem mesmo começei a escrever. Coloquei o papel em cima da mesa, mas a inspiração é pouca. Entre um cigarro e outro, uma frase. Vejo que é uma fase, como aquelas que passam. Mas não passa, nada passa e quando vejo já passou o tempo. Olho nos olhos, vejo a cara de insonia, e as 3:17 um novo pensamento. Como o medo é capaz de me tomar o folego. Medo de não ter do que escrever, de não escrever o que penso. Medo de pensar e de perder o pensamento a qualquer momento. Queria eu eternizar, penso. Eternizar os momentos, eternizar a lembrança. E então tudo muda. Numa sensação de ver e viver tudo de novo, talvez um dejavu da minha própria vida. Esperança, a espera de algo que ainda virá. Fé, acreditar, falta. E me falam que eu procuro demais no vazio coisas que nem mesmo sei o que quero encontrar. Que irei entender quando vivenciar, mas é como vivenciar o que nunca vi antes. Como aprender algo novo sem nunca ter ouvido falar. O sol nasce, ainda estou tentando entender o porque de escrever quase nada sobre o agora. Agora é tão relativo, e quando pensamos no agora já passou o que queriamos mostrar. Cada segundo deveria ser filmado, gravado na memória. Mas como pensar em filmar quando você ainda está tentando viver o momento. Perderia a graça então ver novamente o momento? Nas várias vezes que vessemos o momento já passaria outro momento, e perderiamos o tempo de fazer algo novo. Algo como escrever numa folha, num bloco quase esquecido e que nunca mais lembrariamos de ter escrito. Textos que foram lidos e agora, são ainda momentos a se aprender.
No pensador.ai desde