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Frase de ZILMAR WOLNEY AIRES FILHO

O BALÉ INCOERENTE DAS LABAREDAS NO BIOMA CERRADO GOIANO O clarão das labaredas ergue-se na madrugada ao longe. Os estalos da vegetação retorcida pelas chamas São o grito surdo da flora à matança em série. Num balé incoerente exsurge a peleja de aves e bichos, Onde a vida, sem defesa, se exaure no bioma cerrado, Sob a égide da incoerência e estupidez humanas. Os olhos e ouvidos estão lá nas mídias. Impassíveis, impotentes, atônitos, ou indiferentes Ao último gemido nas cinzas e carvão do solo sagrado. Felizmente, nem tudo é purgatório ou inferno de Dante. Alguns Anjos bons se misturam nas labaredas E, do fogo ardente, surge o milagre da vida daquilo que se restou O sertanejo, o roceiro, perderam o alimento, o abrigo, o labor. O cidadão urbano herda o eterno remorso pela apatia. Feiras, armazéns, peg-pag estão sem frutos, hortaliças e cereais. No chão esturricado não há habitat e nutrientes para a fauna. O gado perde o pasto, o riacho seca, e os peixes morrem. O cerrado não é só mato, vegetação pobre, ou rasteira. Ele é caju, manga, pequi, araçá, murici, mangaba, buriti. É manancial de rios, riachos, lagoas, queda d´água, cachoeiras. A vegetação cerrado vai além da beleza dos ipês. É a fotossíntese diária pelos angicos, aroeiras, acácias. É o chão plantação, colheita, moradia e dignidade. A cada queimadura de terceiro grau neste bioma. A rede existencial, que interliga o cerrado, se desvincula Desconectando fauna, flora, rios, peixes, ar e homens. A vida, que coexiste no todo, se encolhe e se apequena. Sem conexões, a sustentabilidade ambiental se fragiliza, Pois, na rede sistêmica, tudo se une, reflete, e se comunica entre si Após a chuva, o chão resiliente reergue-se para prosseguir a marcha. Entre brasas, pó e fumaça, os galhos, ossos retorcidos, estão lá! Eles serão a eterna imagem do equívoco, incoerência e indiferença. A vida segue nos planos mineral, vegetal, animal e hominal. Essas escalas evolutivas são inexoráveis na senda da viagem. E, na volta à Casa paterna, o bem que se fez será sempre o fiel da balança. Zilmar Wolney Aires Filho (Prof. Univ., Espec. em Proc. Civil; Mestre em Dir. Civil e Doutorando em Dir. Socioambiental)

ZILMAR WOLNEY AIRES FILHO

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Pensador.com

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VOU DAR UM CATIRIPAPO NO JEITINHO BRASILEIRO DE SER De tanto ouvir que os maus prosperam porque são atrevidos Que a omissão dos bons é que incomoda e não a ação dos maus
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VOU DAR UM CATIRIPAPO NO JEITINHO BRASILEIRO DE SER De tanto ouvir que os maus prosperam porque são atrevidos Que a omissão dos bons é que incomoda e não a ação dos maus Vou dar um catiripapo no jeitinho macunaína brasileiro de ser, Em prol da ética, da moral, e do lícito, e em face dos seus opostos Só de pirraça vou devolver o troco a mais que me tirou a graça Só de teimosia vou doar o meu assento à grávida e à idosa Só de sacanagem vou respeitar a fila em homenagem à ética Só de birra não vou adotar a lei Gérson para obter vantagem em tudo Só de capricho não vou vender o voto, a fim de azucrinar a corrupção Vou chegar sempre 15 minutos antes para não dar chance ao azar E não buscar o jeitinho brasileiro de reabrir o prazo ou o portão Vou entrar sempre pela porta da frente pela meritocracia Para não ter que entrar pela janela ou portas dos fundos Em nome do tráfico de influência ou de quem indica Se me rotularem de apregoador de falso moralismo Vou me escudar no bem que sempre vencerá o mau No remorso dos criminosos que sempre se arrependem E no afã de que infrações menores não banalizem crimes maiores Vou acreditar mais uma vez, e não perder as esperanças Assim como a Palmeira confia nos ventos e nos colibris Que irão polinizar suas flores, engravidando-as de bons frutos Assim como a terra confia na chuva, após a estação da seca Para fertilizar seu solo, gerando novas crias e sementes Ms. Zilô Aires (10.11.19)

MARCOS PARADOXAIS DE UMA NOVA ERA Beijos metálicos e abraços midiáticos de TVs, Celulares membros humanóides e amores virtuais
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MARCOS PARADOXAIS DE UMA NOVA ERA Beijos metálicos e abraços midiáticos de TVs, Celulares membros humanóides e amores virtuais Olhos cansados, telas trincadas, nas busca do tudo e do nada Chips viciantes, ópios modernos, e inteligências artificiais Paradoxos dessas uniões paralelas que coexistem com o amor As veias informáticas encurtam distâncias e ampliam informações, Mas alargam a solidão e tristeza no final do navegar As mãos da quântica impõem a pressa pelos elevadores e metrôs Paranormais no fanal da metafísica desafiam o transcendental Laboratórios vendem embriões e superam mulheres nas gestações Sociedade de consumo com vitrine de felicidade à prestação Propaganda intensa, crédito fácil, massificação garantida Bens inúteis, ressacas de dívidas e terrorismo de carnês Inúmeros veículos, imóveis fáceis, produtos descartáveis Trânsito violento que mata e leva a lugar nenhum Crianças de ruas, filho da Pátria sem fundos Concretos e engenharias reinventam a paisagem A foice e o machado futuristas projetam sombras Impedem o sol, ocultam nuvens e escondem estrelas A fotossíntese das árvores virou tese de livros no museu Que servem só pra quem não sabe ler O ciclo de aves, animais e plantas são manipulados Hormônios e herbicidas dobram lucros da carne e vegetais Dinheiro inútil com herança maldita do câncer Matar nunca foi bom, mas a inversão da nova lei ensina Que ceifar o homem dói menos que matar bichos Dólar e euro ditam as regras de bolsas e economias Religiosos alienados matam mais que guerras e epidemias A grita da fauna e flora não sensibilizam a fumaça do progresso Usinas nucleares rompem o átomo e radioativam a vida A ciência avança, mas antes atropela a ética e a moral Tanta pressa para tudo se transformar sem deixar sabor Para que não reste história, para não se saber do passado, Para não se perceber o hoje e não imaginar o amanhã. Entre a pressa e o estresse, fico com o suave balé das árvores Quanto mais paradoxal, mais pedaços se unificam em Deus (Zilô Aires, 27.03.18)

⁠ EM TEMPO DE NUVENS ARTIFICIAIS, BREVE PASSEIO PELO PLANO EXISTENCIAL FÍSICO
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⁠ EM TEMPO DE NUVENS ARTIFICIAIS, BREVE PASSEIO PELO PLANO EXISTENCIAL FÍSICO Cá, os pés despidos atritam nas areias lavadas das praias ribeirinhas. A pele se entrega à brisa e harmonia dos rios, lagos, lagoas, cachoeiras. Os ouvidos estão na frequência sonora de bichos, aves, folhas e ventania. Nas manhãs e tardes, o sol triunfa; à noite, lua e estrelas expõem fulgor. Noutro plano, google meet, zoom, youtube, falas digitais, nuvens virtuais. Telas de notebook, celulares, vídeos, imagens, incursões cibernéticas. Inteligências artificiais, internet, skype, teams, conexões informáticas. Senhas, hiperlinks, sinais, e-mails, canais, sites, redes sociais. Breve pausa na incursão internauta e em suas Comunidades e Grupos. O interagir presencial rende-se aos notívagos e a sinfonia da fauna e flora. Há um céu, com suas diversas moradas, e o olhar se esvai no infinito. Um corpo se recompõe e o cérebro vai se despindo de conteúdos clichês. No pacote da era da comunicação não disponibilizaram o antídoto, Para vigiar e desopilar o acúmulo de referenciais desnudos de essência. Não acautelaram sobre o ópio viciante na busca do tudo e do nada. Há raros médicos e auxiliares no plantão, eles também estão conectados. Derrogaram a minha intimidade sob a evasiva do moderno inadiável. Acondicionaram, sem vênia, todos os meus dados pessoais na nuvem. Ela não é passageira, mas virtual, invisível e com atuação à espreita. Os downloads trarão de volta crimes, mas também os sigilos da profissão. Penitencio, não deter a velocidade de softwares e práticas informáticas. Urge descer, antes de se perder o fôlego e do eixo da terra se alinhar. Renuncio às tsunamis de fake news, nudes, escritos inoportunos. O que se busca é o afeto de pessoas antes de cumprimentos robotizados. Situo na retaguarda constante dos humanos no estandarte da automação. Confidencio, que o chip na pele, resguardando a segurança por satélites, É o mesmo que suprime a minha garantia de liberdade ou de privacidade. Todavia, ainda é menos invasivo que o celular nosso de cada dia, Com bons dias autômatos no Instagram ou WhatsApp no afã de feedback. Aversão, sim, à neofobia, amiúde contra o avanço científico, ético e moral. A internet é a maior biblioteca, não tão fiel quanto aquela da Alexandria. Aqui, segue o mesmo navegante vanguardista das conexões presenciais. Incauto inclusionista da espécie humana antes dos computadores, Cônscio, de que as máquinas vieram para servir antes de dominar ou excluir.

⁠CONSTATAÇÃO LEGITIMADA E SEM PREPOTÊNCIA: estamos envelhecendo, o que fazer?! Que bom saber que já não somos o jovem impetuoso de ontem, com impensadas ações, aceitando irreflexivamente os fluxos de convites, despertados aos olhos e intuídos aos ouvidos, num plantão diário. Ag…
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⁠CONSTATAÇÃO LEGITIMADA E SEM PREPOTÊNCIA: estamos envelhecendo, o que fazer?! Que bom saber que já não somos o jovem impetuoso de ontem, com impensadas ações, aceitando irreflexivamente os fluxos de convites, despertados aos olhos e intuídos aos ouvidos, num plantão diário. Agora, podemos interromper temporariamente a corrida desenfreada, para melhor contemplar o meio ambiente, com sua fauna e flora exuberantes, ricas de coisas simples, que não dávamos tanta relevância, mas, no mourejar de uma melhor idade, cientificamos que, nesta natureza, tudo se interage e se completa, a todo momento, em prol do equilíbrio. Olhamos com mais vagar e curiosidade para o céu, estrelas e luar, com a mesma leveza, inocência, dos gestos de uma criança maravilhada com suas descobertas. Permanecemos estáticos, deslumbrados, com a sincronia perfeita entre dias e noites e o casto streap tease das estações em suas alternâncias. Permeando um olhar introspectivo, atestamos que os ímpetos estão sendo superados e a gestão do corpo concita articulações físicas e alimentação singular regada ao sabor da infância ou da casa materna. Na hodierna sociedade de consumo, nos conscientizamos felizes, que nem tanto marketing intenso e crédito facilitado, recheados de cores e luzes neon, têm convencido para o consumo desnecessário de produtos, que talvez nunca iremos conhecer seus recursos ou utilizá-los. Aliás, quando olhamos para trás, em busca de referenciais, ou para evitar equívocos, defrontamos também com o tempo perdido, entre práticas e ações, e hoje ao detectarmos os arroubos da juventude, nas mesmas inquietações e frivolidades, internalizamos essas circunstâncias, para nos penitenciarmos pelos equívocos do ontem. É assim, nesta simbiose inexorável humana, onde a criança vai exaurindo-se entre os dedos e o idoso usurpando o seu lugar. O espelho, a cada manhã, estampa impiedosamente o grisalho, as rugas e a tez cansada. Neste âmbito introspectivo entre o ontem e o hoje, a virilidade infante e a hipossuficiência idosa, obtém-se a ciência de evitar equívocos na busca incessante da evolução, de forma autônoma, martirizando-se no descompasso entre equívocos e acertos. Com erros, também se aprende, mas pode-se encurtar a distância para o aprendizado, através de direcionamentos abalizados por pessoas consolidadas na marcha, investidas de valores éticos, morais e de bons costumes. Chega-se à reflexão, que o comportamento de se postar autodidata, no afã de soluções, sob a égide de aprendizados próprios, deixa para o espólio existencial prejuízos incontáveis. Exsurge necessário valorar o legado moral de conhecimentos e aprendizados das gerações anteriores. Neste panora-ma, aliás, afigura-se essencial refletir sobre a caminhada, analisando avan-ços, retrocessos, enfim, o que precisa ser corrigido, se ainda for possível. O divã cotidiano auxilia na desvinculação de tantas culpas pessoais, consequenciais da refrega diária. Com isso, aprende-se, também, a perdoar aos outros, naquilo que for possível e necessário, mas principalmente, perdoar a si mesmo. Assimila-se, pois, num limiar de pôr de sol, que o ser humano não é máquina pronta e perfeita. Ele, antes, se afigura tal qual engrenagem imperfeita em fase de aprimoramento. Enfim, que o mundo e as pessoas, que nos são caras, nos perdoem, se possível for, por algumas constatações, que exsurgem legitimadas, e que nos encorajam, embora sob um viés afirmativo, mas sobretudo distanciadas de um matiz prepotente, para formular alguns questionamentos. O que fazer, se não temos a mesma disposição para estar e conviver em determinados lugares? Para ouvir barulhos sonoros, disfarçados de canções? Para interagir com assuntos, sem nenhum proveito, fundamento, ou apenas de cunho pejorativo? O que fazer, em relação às críticas de que possamos estar tomados de depressão, estresse, ante o distanciamento, fuga, se aquelas não mais nos afligem, uma vez que a consciência exalta que apenas nos tornamos mais exigentes, quanto às nossas escolhas, filiando-se àquilo que estamos investidos em nível de tendências, inclinações, gostares, enfim, ambientes e lugares? O que fazer, sem sermos deselegantes, se não temos o dever, seja por meio de exigência legal, ou por opção, para darmos explicações, respostas às coisas, questionamentos, que verificamos que não possuem qualquer pertinência ou relevância? O que fazer, mesmo sem sermos omissos ou indiferentes, se hoje temos mais coragem para ofertar o silêncio, antes de articular acaloradas discussões? O que fazer, se após uma jornada exaustiva de trabalho, quisermos permanecer, momentaneamente distanciados, ou apenas ladeados pela família, ouvindo temas domésticos, saboreando alimentos triviais, e ouvindo canções saudosas? O que fazer, se quisermos zelar do jardim, das plantas, conversar com elas. Nos surpreender falando sozinhos, em nossas caminhadas, ou de outro lado, fazendo uma prece ou uma oração de agradecimento, ou em prol de um parente, familiar ou pessoa conhecida? O que fazer, se postarmos indiferentes às críticas veladas, fofocas, competições por lugares, imagens, preferências, quando já sedimentamos o nosso próprio habitat, e procuramos apenas administrá-lo, com dignidade, segurança e conforto? Sabemos que ainda há um hiato temporal que nos separa da autonomia total para as nossas ações, gestos e palavras. Outrossim, constatamos que a roupa da maturidade vai se tornando o valoroso uniforme para o agasalho corporal. Reflitamos, pois, que essa vestimenta, talvez, seja o paletó e a gravata mais elegantes e confortáveis que tenhamos feito uso até os dias contemporâneos.