Frase de Miriam Da Costa
Indenização ao Bom Senso Há dias em que abrir as redes sociais equivale a atravessar um mercado onde todos gritam ao mesmo tempo, mas poucos têm algo a dizer. A sensação não é apenas de cansaço, é também de agressão sutil. Como se a nossa cognição fosse diariamente submetida a um teste de resistência. Diante das parvoíces que se multiplicam com a velocidade da fibra ótica... surge a pergunta quase irônica: Deveria existir uma lei de indenização ao bom senso?!... Um mecanismo jurídico que compensasse os danos morais causados por opiniões rasas, desinformação reiterada e certezas infladas pela ignorância performática?!... A proposta pode soar autoritária à primeira vista... e talvez seja.... afinal, em uma democracia, a liberdade de expressão é cláusula essencial. A Constituição Federal de 1988 protege o direito de manifestar pensamentos, inclusive os equivocados, os imprecisos, os tolos e até os absurdos. O Estado não pode ( e nem deve!) tornar-se árbitro do que é inteligente e do que é absurdamente tolo. E viva essa liberdade que nos abre ao conhecimento geral e ao mesmo tempo nos algema à suportação da parvoíce generalizada... No entanto, há uma diferença entre liberdade de expressão e liberdade de alcance irrestrito. As redes sociais não são praças públicas neutras, na verdade são empresas privadas com algoritmos desenhados para maximizar engajamento, isso não é novidade! Plataformas digitais como a "Meta Platforms" e o "X" operam segundo uma lógica econômica óbvia, ou seja, quanto maior a reação e o engajamento....maior o lucro. E poucas coisas geram mais reação do que o absurdo e a mediocridade da fofoca ... O problema não é a existência da opinião frágil, mas sim, a sua amplificação desproporcional. A arquitetura digital privilegia o escândalo, a indignação instantânea e a polarização simplista. O pensamento crítico e complexo, por exigir pausa e reflexão, perde espaço para a frase de efeito e o meme inflamado. Falar em “indenização à inteligência” é, portanto, menos um projeto legislativo e mais uma metáfora ética. Trata-se do reconhecimento de que há um desgaste cognitivo coletivo em curso. A saturação de ruído compromete o debate público, esvazia a capacidade crítica e banaliza o erro. Fazendo o errado parecer certo... O injusto passar por justo... Talvez a verdadeira reparação não esteja na criação de novas leis, mas no cultivo de novas posturas. A inteligência não precisa de proteção estatal, precisa de responsabilidade individual. Cada compartilhamento é um ato político. Cada curtida é uma validação simbólica. Cada silêncio também é uma escolha. A maturidade digital exige discernimento: saber quando curtir, quando argumentar, quando ignorar e quando se retirar em silêncio... reagir com consciência a cada provocação nas redes sociais é um gesto de força, não de fraqueza. Em tempos de campanhas pré-eleitorais devemos redobrar nossa atenção na obtenção dessa maturidade digital, né?! O algoritmo se alimenta de indignação e o bom senso se fortalece na contenção. No fim, não precisamos de um tribunal para julgar a estupidez que parece reinar... Precisamos de cidadãos capazes de reconhecer que liberdade implica responsabilidade, inclusive a responsabilidade de não transformar o espaço público em palco de vaidades desinformadas. Se houver uma indenização possível, que seja a de preservar a própria lucidez em meio ao ruído do caos. Em tempos de excesso de voz, pensar com rigor é resistência. Que a nossa cognição seja "indenizada" pelo nosso bom senso no almejar uma certa maturidade nessas redes sociais... ✍©️@MiriamDaCosta
No pensador.ai desde