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Frase de Ricardo Ferraz

"O canto dos grilos." Eu me lembro bem do canto dos grilos do lado de fora, enquanto a lamparina bruxuleava em cima da mesa. Meu avô, sentado numa cadeira na porta, cansado do dia, observava os vaga lumes que cintilavam o breu da noite. Sussurrava com a língua encostada na parte de trás dos dentes da frente uma canção que não existia, disfarçando os pensamentos por onde quer que estivessem. Era um banco comprido, de madeira antiga, já todo alisado pelo tempo. Me lembro de minha avó sentada na ponta com minha cabeça no colo. Passava as mãos pelos meu cabelos fartos procurando piolhos, e me espantava naquela luz amarelada de tão fraca, como ela conseguia encontra-los só com as pontas dos dedos. Meu avô se levantava da cadeira, e o barulho das tábuas do assoalho rangiam aos seus pés. Abria o pote de barro, pegava a caneca, e mesmo de longe eu ouvia o barulho da água descendo por sua garganta, depois voltava pro lugar, se sentava e voltava a sonhar com tudo que já tinha. A vida te leva muitas coisas, as pessoas se vão, mas a vida não leva as lembranças. E a minha vida ficou ali, grudada naquele espaço de banco, e volta e meia eu volto lá, toda vez que eu ouço o Canto dos grilos. Ricardo F.

Ricardo Ferraz

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Ricardo Ferraz

[...] Eu te via do telhado de casa em cada estrela que havia no céu. Eu sabia que algum lugar você existia, só não pensava como nem quando viria. Só não imaginava que dentro dos seus olhos todo aquele céu de estrelas que um dia via, ali eu também veria. Ricardo F.
Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza…
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Dizem que quando dormimos nosso espirito vaga por ai. Eu não sou aquele tipo de pessoa que acredita em tudo, porém, também não duvido de nada. E é engraçado, quando sonhamos, é sempre uma coisa vaga, muitas vezes sem nexo. São lugares que não existem, mas que a gente tem certeza que já esteve neles. São situações estranhas onde você vê uma pessoa, a reconhece do seu dia, mas com outro nome, você sabe que sonhou com aquilo, mas no sonho era outra coisa bem diferente. Maluco isso, né? Eu tenho uma impressão que, quando a gente sonha com alguém que gostamos muito, nosso espirito se liberta do corpo e dá um jeito de ir se encontrar com ela. Não que de fato a pessoa esteja sonhando com você também, mas é como se o seu espírito pedisse permissão para entrar dentro do espírito daquela pessoa por meros milésimos de segundos, talvez por isso, a sensação seja tão real, tão amorosa que, ao acordarmos, estejamos em completa paz, como se tudo tivesse sido de verdade. Aquela sensação de saber que sonhos vêm e vão embora, mas de alguma forma você esteve ali. Sabe, a vida é cheia de mistérios, e no fundo não precisamos entender nada, apenas vive-los como se hoje fosse nosso último dia, a nossa última chance de sermos felizes. A vida é real, o mundo é de verdade, e talvez por isso jamais podemos deixar de sonhar, de acreditar que tudo pode acontecer nessa vida, porque nunca sabemos o que poderá ser amanhã, e que sonhos, apesar de toda utopia, fazem parte de um outro plano, um plano onde só nosso sentimento mais profundo é capaz de ir. Ricardo F.