Frase de Christie Wingler
Eu sou um fruto do niilismo? Um buraco de minhocas que ninguém sabe aonde vai dar? Sabe-se apenas que transporta, mas pra qual tempo, pra qual lugar? Só sei que, apesar de um tanto torta, as ondulações do mar, com toda a sua beleza e forma indefinida, me confortam. Porque dá pra ser disforme, enorme, e, ainda assim, pacífico. Mas por oposição ao que se espera, é o alinhado que mais me intriga: a reta que liga um ponto a outro, a ideia linear de trajeto percorrido, de coesão, de equilíbrio. Então pergunto-me: como é possível algo ou alguém se manter tão rígido? Parece fino como linha, a um sopro de embaraçar-se em nós miúdos, quase irreversíveis. E o que se mantém por muito ereto, não tende ao declive? Será que é tão ruim ser um abismo? É obscuro, eu sei. Mas cabe tudo, inclusive o nada. Essa vastidão inspira grito que ecoa, inenarrável e um silêncio desconhecido, interminável. Não há régua que meça a altura ou a dimensão. E é nessa incerteza que se arrasta, que nos tornamos livres de toda crença, de todo medo, de toda razão, inexoráveis apenas por existir.
No pensador.ai desde