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Frase de Carlos de Castro

⁠O MEU JARDIM Tantas flores tenho nele dos meus amores. A Abelha azul, Que tem que estar virada a sul; Agapantas E Cardos sacripantas; A Sábia ananás De um vermelho voraz; A De Jerusalém Amarela, só por bem. A da Sapatinha da judia Descendo quando subia. A Vi burno De um branco em verde soturno; A Alfazema, Que tem odores de poema. Amores perfeitos, Que para mim, Que não sou flor nem jardim, Sempre foram imperfeitos. Senhores, do mundo imundo Onde me afundo: Será culpa de mim? É que eu nunca tive um jardim! Nem flores, Nem amores. Sempre e só, me tive a mim! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-12-2022)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)