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Frase de Carina Barros FortalezaCE

Quando feliz, Ana Liz, balança o pé sem parar, ele, Everson, solta uma risada profunda como se o arco-íris pousasse sob a nossa cabeça, iluminando e colorindo quem somos. Desde que eles nasceram eu reenvientei o meu olhar sobre o mundo, as pessoas. Cada dia vivido ao lado deles eu reapreendo a reparar o encanto presente nas coisas miúdas. Ana Liz me olha como se enxergasse de fato quem eu sou, sem medo das minhas limitações. Everson me abraça tão forte como sentisse o meu coração, que pulsa às vezes com tanto medo. Ana Liz desde pequena aprendeu a gostar de todas as cores, a brincar sem diferenciar o que é de menina ou menino. Everson tem mania de contribuir com a mamãe nos afazeres de casa, "temos que ajudar os mais velhos, titia", diz ele. Cada encontro eles me ensinam sobre um mundo possível. Eles não se importam caso não os presenteio com coisas materiais. Eles não me pedem nada em troca. Como isso é bonito e raro em meio a tantas relações de trocas em que vivemos. É por eles, é pelas crianças que cruzam o meu caminho diariamente que eu sigo acreditando, o mundo novo é possível. Um dia, quem sabe, Ana Liz e Everson, cresçam em busca de um mundo mais justo e humano, para eles, para nós, para os que virão. Um dia, meus pequenos, enquanto isso, segura a mão da titia. Seguiremos sem perder jamais a capacidade de nos encantar, seremos crianças todos os dias do ano.

Carina Barros FortalezaCE

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Pensador.com

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Outras frases de Carina Barros FortalezaCE

Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente eu falaria neste 8 de março sobre aquelas mulheres borboletas que criam os seus filhos sozinhas e a sociedade as julgam chamando de mães solteiras Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar…
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Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente eu falaria neste 8 de março sobre aquelas mulheres borboletas que criam os seus filhos sozinhas e a sociedade as julgam chamando de mães solteiras Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente eu falaria hoje sobre todas as mulheres guerreiras que enfrentam duras filas, sol, chuva e humilhação na porta dos presídios para visitar os seus filhos porque eu sei sociedade que a culpa não são delas não Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente eu falaria da Dona Inês que recolhe material reciclável todos os dias pelas ruas de Fortaleza e não desiste de sorrir porque tem a capacidade de enxergar a felicidade nas coisas mais simples da vida Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente eu falaria de todas as mulheres benditas de histórias tão bonitas que se tornam invisíveis nesse mundo onde o ter é bem mais importante do que o ser Se eu pudesse falar pela poesia e a poesia pudesse falar por mim certamente hoje eu faria um simples pedido para que todas as mulheres fossem livres para conjugar o verbo amar e acima de tudo que todas fossem livres e felizes no caminhar Poesia, Mulher Resistimos Mulher, Poesia Existimos O nosso dia certamente são todos os dias

Estávamos eu e minha sobrinha, Ana Liz, no quintal quando ela viu a chuva cair pela primeira vez. Tinha apenas três meses de idade. O olhar atento sentindo as gotas cair no chão, nas plantas, ao seu redor. Tamanha calmaria, leveza, sensibilidade. Ela foi crescendo, e nos dias de…
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Estávamos eu e minha sobrinha, Ana Liz, no quintal quando ela viu a chuva cair pela primeira vez. Tinha apenas três meses de idade. O olhar atento sentindo as gotas cair no chão, nas plantas, ao seu redor. Tamanha calmaria, leveza, sensibilidade. Ela foi crescendo, e nos dias de chuva aprendendo a tocar na àgua que caia sobre as suas pequenas mãos. O olhar fixo parece que está contando gota por gota. Além de enxergar a chuva, ela sente. Além de sentir ela transborda, e me ensina a reparar a beleza das gotas caindo sobre nós, sobre o mundo. Ana Liz desde pequena aprendeu a gostar da chuva, talvez ela gosta de ser regada como as flores. A cada chuva que cai, Ana Liz floresce, cresce, cria raízes. Ela me ensina sobre as etapas da vida, o tempo, o reeinventar. Hoje, quinta-feira, da janela do ônibus vejo a chuva que cai em Fortaleza, penso na Ana Liz, recordo do seu olhar atento e sigo. Resisto aos maus tempos, a desesperança, o medo. Assim como a Ana Liz hoje deixarei a chuva me regar para que possa brotar flores de resistência no meu peito. R(e)existo. Vamos juntas pequena, estamos juntas.

Menina valente que mora na rua bem perto do mar em troca de comida vende a sua força de trabalho para um maldito empresário da banda de lá
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Menina valente que mora na rua bem perto do mar em troca de comida vende a sua força de trabalho para um maldito empresário da banda de lá quando sente calor vai até o mar se banhar na hora do frio usa o tal crack pra se enrolar pergunto o seu nome e logo descubro que é minha xará Menina valente que mora na rua bem perto do mar como você faz para sonhar? E esse olhar de criança quem a ensinou preservar? E o medo da solidão quem lhe abraçou para passar? E nas suas quedas alguém um dia estendeu a mão? Menina valente que mora na rua bem perto do mar como o mundo insiste em lhe julgar apenas com um olhar? longe, raso, apressado... Que tudo vê mas não é capaz de lhe enxergar Divide a sua história comigo menina valente que mora na rua bem perto do mar prometo que não vou lhe julgar Não menina, eu não posso me calar E nem a sua história naturalizar A poesia às vezes nos faz sorrir outras vezes nos faz chorar Um dia menina valente que mora na rua bem perto do mar espero lhe reencontrar e um final feliz para sua história poder contar É por você, por mim, por nós e tantas outras que eu insisto em lutar