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Silêncios que pesam no peito
Transformar sentimentos em palavras,
coisa mais difícil não há.
Há silêncios que pesam no peito,
há verdades que ninguém quer escutar.
O ódio que você sente
é capaz de lhe engasgar;
fica preso na garganta,
feito espinho a machucar.
Você diz que não se importa,
sai depressa, bate a porta,
grita, ignora, finge não ver —
mas por dentro começa a chover.
E se eu choro, você vai embora,
como se a dor tivesse hora,
como se lágrimas fossem fraqueza,
como se amar não trouxesse tristeza.
Mas cada palavra calada
é uma ferida disfarçada;
cada distância, um pedido,
cada adeus, um grito contido.
Talvez um dia você entenda
que o coração também se arrebenta,
e que ninguém parte ileso
quando transforma amor em desprezo.
Então, se ainda houver coragem,
retorne antes da tempestade;
fale, mesmo que doa,
antes que o silêncio nos destrua.