Frase de Hermes Fernandes
Diário de bordo Querido diário de bordo Acabei de embarcar Que a viagem seja tranquila Tão serena quanto o mar Já até me aconcheguei Vou dormir até o cais Neste barco sou o rei Não perturbem minha paz Querido diário de bordo Sinto o barco balançar E por pouco não acordo Vamos ver onde vai dar Se for só uma marola fico quieto em meu canto Meu timão Deus quem controla Pra que todo este espanto? Ouço gritos no convés Corre-corre pela nau Da cabeça até os pés Eu me cubro integral Deve ser um pesadelo Logo, logo vai passar Quer por medo ou desmazelo Me recuso a aceitar Querido diário de bordo Alguém bate à minha porta Quem sou eu? Já nem recordo E quem é que se importa? Ei amigo, por que dorme? Todos fazem sua prece A tormenta está enorme É melhor que se apresse Por acaso você sabe a razão desta má sorte? Tanta água aqui não cabe Não há barco que suporte Sou rebelde e infiel Não devia estar aqui Do juízo sou o réu A Deus desobedeci Não me poupem, por favor É melhor lançar-me ao mar Não duvidem, o furor certamente acalmará Quero ser um homem honrado Não descartem a esperança Depois que eu for lançado Virá logo a bonança Ao ouvir meu argumento tão estranho, tão insano Sem remorso ou lamento me lançaram no oceano O meu corpo cai inerte e chega ao fundo do abismo Lanço na morte o meu flerte Lá se vai meu otimismo Pelo menos ninguém mais vai pagar pelo meu ato Se eu sofrer, sofro em paz É mais justo e sensato O que foi que aconteceu? Onde é que fui parar? Este cheiro, este breu No inferno devo estar Oh Senhor, ouve minha prece Recebi o que merece todo que te aborrece e a tua Lei desobedece Oh Senhor, ouve minha voz Eis-me aflito, arrependido Meu castigo é atroz Porém, justo e merecido Quero a chance de seguir O caminho que traçaste Que eu alcance no porvir Tudo o que Tu planejaste Querido diário de bordo Uma luz à frente raia De alegria me transbordo Vomitado nesta praia O que foi que me engoliu Parecia meu castigo Era a graça que sorriu e me pôs em seu abrigo
No pensador.ai desde