Frase de Gabriel Salvi
Autoestrada Uma grande autoestrada possui muitos afluentes, É como a cabeleira de um grande rio, cheio de fio... e cada um diferente, Existe o fio que vem da roça, vem de longe, estrada grossa, Pra passar só com um trator, um trator que as planta roça... Já tem um fio que é da cidade, Moço jovem, pouca idade... Aprendeu a ganhar dinheiro, na mais tenra mocidade... Hoje vem de Ferrari, Cavalo a mil! Chegou na autoestrada e ó: você nem viu! Outro fio mora bem perto, Bem na beira da autoestrada, Nem precisa sair cedo, Uma preguiça retada! Mas foi! Pegou a bike, deu uma olhada, Encheu o pneu... E partiu! Partiu pra autoestrada! A autoestrada não tem fim, só que ninguém sabia... Cada um fez o que pode e assim a vida seguia... O fio da roça lá chegou, na autoestrada seu trator, Ia bem devagarinho, nem ele mesmo se apressou... O da Ferrari tava longe, longe até demais, Pena que não viu o buraco, Ferrari nunca mais... O da bike, tudo certo, continuou a pedalar, As vezes até parava pra uma soneca tirar... O tempo foi passando e autoestrada não acabou, O da roça perdeu o diesel, então logo se apressou... Mas só por um momento, pra deixar o seu trator, agora ia a pé... Quem da roça já cansou? O da Ferrari tava parado, os 4 pneu furado, Sentado com a porta aberta, parecia desconsolado... O da bike acordou, hora de pedalar, Mas agora ele já notou, os pneus tão a muchar... O da roça chegou em prosa, bem pertinho da Ferrari... Olhou, pensou... E então fez um milagre! "Bora moço jovem! Olha só como é que eu tou! Esse é o único caminho, o destino já chegou! Não se prenda a esse carro, o meu lá atrás ficou. Olha o tanto que andei e veja só o meu vigor! Eu sei que é difícil, para isso me esforcei. Mas segura aqui no meu braço, vamos juntos ver o Rei!" O da Ferrari nem acreditava, Nunca tinha visto alguém com tanta alegria brava! Por um momento ele quase desiste, Já não estava mais triste, andar não é tão ruim, se alguém que ama insiste. O da bike tinha voltado, era mais rápido ir em casa, afinal não tinha ido longe, enchia o pneu e então voltava... Voltando pra casa, esqueceu até aonde estava, a bomba, o pneu e até a própria casa... Perdido... Agora que percebeu, Isso já tinha acontecido antes, É o vício do já morreu! Mas então ele se lembrou, Virou e encontrou, A casa tava do lado, Foi o pescoço que não virou. Mais a frente... A autoestrada tava difícil, Mas o da roça ajudava o jovem, E o jovem ensinava o difícil... Os dois aprendiam muito, seguindo na autoestrada, Cada vez que um ia cair, logo via a mão esticada, O jovem tinha tatuagem, piercing e calça rasgada, O da roça um cigarro de palha, pouca roupa e mais nada... O da bike conseguiu! De volta a autoestrada, Mas bateu uma preguiça, outra soneca na beirada... Enquanto ele tava dormindo, dois ratinhos o observava... Assim que o sono pesava, um assobio se escutava... O da bike então acordou, É hora da pedalada! Pena que o pneu murchou, E os ratinhos, escondidos, Caíram na risada... A autoestrada ainda está lá, Não se sabe até quando, Enquanto o da roça e o jovem andam, O da bike vive sonhando... Engraçado é dizer, que ele mora mais perto, Mas a distância que ele foi, dos outros dois nem chega perto.
No pensador.ai desde