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Frase de Carlos de Castro

JURAMENTO AINDA O PRIMEIRO ( 1 ) Que me interessa ter abandonado A vida ágria, corrosiva, pustulenta, Se na verdade a minha fiel tormenta O dó ré mi dum fá sem sol, é meu fado. Eu, velho decrépito, desventurado, Firmo na pena da água benta escrito, O juramento deste ser proscrito, Em nome do pai e do filho castrado. Juro, Castro, a quem pediram pró morto Infeliz pequenino recém-nascido, Fruto de um amor que já nasceu torto, Uns versinhos na lápide do ser já ido. Angustiado, sem inspiração, fiquei retido Se havia de escrevinhar ao casto ou doloso, Mas eis que uma voz me gritou ao ouvido: Escreve a verdade pura, dura e sem gozo. E eu então, amante da pureza, escrevi: "Aqui jaz um recém-nascido Que jamais a luz do dia viu, Filho de pai desconhecido E da dama que o pariu." .................................................................. (Já passaram quarenta e mais anos e na lápide fria da campa do infeliz inocente, encoberta, por silvas, sem a luz do sol, continua gravada, teimosamente, esta dolorosa quadra minha, que já mal se lê... mas que eu sei de cor e salteado até ao fim da minha existência...) (Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 16-10-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)