Frase de Eylan Manoel da Silva Lins
DESABAFO DE UM PASSARINHO Oh, inculta Coruja, ave de rapina, Nascida em luto - parto doloroso - Para saudar-te ave da escuridão Esgalhou-se o canto tenebroso Dos vitrais estilhaçados ao chão. Oh, triste sina tua vir ao mundo Com alma cinza, sem esperança... Teu trilar em noites sem estrelas São apenas blasfêmias, murmúrios Chorados pelo nascer da aurora. Saibas a cegueira que te ofusca Das luzes, risos e primaveras, É a mesma que sorve da lama O horror de tuas dores severas: Espinhos mortos em chama! No cárcere das plumas imundas Da fina neblina que te vestes Cobres em vão, farsas bramidas: Mágoas e desilusões reprimidas No deserto de teus fracassos! Por que, oh triste rasga mortalha, Teimas cuspir tua cicuta amarga Nas águas dos rios que tu bebes? Por que aprisionas na clausura fria Turíbulos de flores, germes alegrias? Abre-te ao mundo feito girassóis Lanças-te aos crisântemos da vida Deixa-te entrar a luz, florescer paz! Pintas em arco-íris os lírios de risos No mosaico dourado que te cerca! Afasta-te do vil e ridente anjo caído, Da podridão mentirosa e desmedida Da ignorância traidora que te vela! Deixa-te chover flores de estrelas, E, ao partires, a saudade te saudará... ... in, Girassóis (di)versos, e outras flores - 2016
No pensador.ai desde