Frase de Natália Agra
Não sei andar na chuva muito mais que o tempo, dividir um guarda-chuva atravessar sem medo, queda longe da parede pega pela mão, a formiga na outra, carrega-o – tempo de costas alguém disse: não sei andar na chuva sendo um a menos estampido são os gritos no ritmo dos passos alguém repetiu: eles eram muito felizes ela, quinze anos ele, os mesmos quinze dividiam no guarda-chuva a mesma tempestade o riso insolente o silêncio na xícara de café beija o inverno delicado não havia mais ninguém na casa além do talher empoeirado ainda da última visita de um marido morto a música que faz chorar hoje só esconderijo impossível viver numa casa onde não faz calor frágua que forja lágrimas onde a chuva não caminha como dói a paisagem quando o olho morre aberto fica no meio um abismo vermelho da saudade para entrar no sonho e esperar que aconteça um milagre
No pensador.ai desde