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Frase de Natália Correia

Balada para um Homem na Multidão Este homem que entre a multidão enternece por vezes destacar é sempre o mesmo aqui ou no japão a diferença é ele ignorar. Muitos mortos foram necessários para formar seus dentes um cabelo vai movido por pés involuntários e endoidece ser eu a percebê-lo. Sentam-no à mesa de um café num andaime ou sob um pinheiro tanto faz desde que se esqueça que é homem à espera que cresça a árvore que dá dinheiro. Alimentam-no do ar proibido de um sonho que não é dele não tem mais que esse frasco de vidro para fechar a estrela do norte. E só o seu corpo abolido lhe pertence na hora da morte.

Natália Correia

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A POSTERIORI No princípio era treva. Alma que se rebela
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A POSTERIORI No princípio era treva. Alma que se rebela Contra um céu que se encobre. E Judas foi o mau Na novela de Cristo Para embarcarmos na ideia De outro metal mais nobre. O mal foi um Ulisses Com medo das sereias. O que seria o mundo Se ele as tivesse ouvido? Talvez saísse um cuco Do relógio das veias Anunciando ao mundo Que Deus tinha nascido.

Tinha o tamanho da praia o corpo era de areia. E ele próprio era o início
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Tinha o tamanho da praia o corpo era de areia. E ele próprio era o início do mar que o continuava. Destino de água salgada principiado na veia. E quando as mãos se estenderam a todo o seu comprimento e quando os olhos desceram a toda a sua fundura teve o sinal que anuncia o sonho da criatura. Largou o sonho nos barcos que dos seus dedos partiam que dos seus dedos paisagens países antecediam. E quando o seu corpo se ergueu Voltado para o desengano só ficou tranquilidade na linha daquele além. Guardada na claridade do olhar que a retém.

A Defesa do Poeta Senhores juízes sou um poeta um multipétalo uivo um defeito
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A Defesa do Poeta Senhores juízes sou um poeta um multipétalo uivo um defeito e ando com uma camisa de vento ao contrário do esqueleto. Sou um vestíbulo do impossível um lápis de armazenado espanto e por fim com a paciência dos versos espero viver dentro de mim. Sou em código o azul de todos (curtido couro de cicatrizes) uma avaria cantante na maquineta dos felizes. Senhores banqueiros sois a cidade o vosso enfarte serei não há cidade sem o parque do sono que vos roubei. Senhores professores que pusestes a prémio minha rara edição de raptar-me em crianças que salvo do incêndio da vossa lição. Senhores tiranos que do baralho de em pó volverdes sois os reis dou um poeta jogo-me aos dados ganho as paisagens que não vereis. Senhores heróis até aos dentes puro exercício de ninguém minha cobardia é esperar-vos umas estrofes mais além. Senhores três quatro cinco e sete que medo vos pôs em ordem? que pavor fechou o leque da vossa diferença enquanto homem? Senhores juízes que não molhais a pena na tinta da natureza não apedrejeis meu pássaro sem que ele cante minha defesa. Sou um instantâneo das coisas apanhadas em delito de paixão a raiz quadrada da flor que espalmais em apertos de mão. Sou uma impudência a mesa posta de um verso onde o possa escrever. Ó subalimentados do sonho! A poesia é para comer.