Frase de Rô Montano
"Voar com leveza ao som dos bandolins" Voar… não com asas, mas com a alma acesa, no instante suspenso em que tudo silencia, e só resta o som — sutil — da natureza tocando os bandolins da melancolia. É nesse fio invisível entre o tempo e o vento que o espírito se desfaz de seus espinhos e se veste de luz, de música e sentimento, como se a vida coubesse em poucos dedinhos. Oh, bandolim que chora, tão pequeno e tão imenso! Em ti há mares, luas, lembranças e alvoradas. Cada nota tua é um verso que eu lanço, intenso, ao céu que me abriga em suas madrugadas. Voar com leveza... é despir-se do mundo, desatar os nós das dores que se calam, é entregar-se ao som, profundo e fecundo, que os bandolins, com ternura, embalam. E, nesse voo que não conhece altura, onde o corpo não pesa e a alma é verbo, descubro que a música é forma de ternura e que amar... é tocar o invisível, sem reserva. Ah, se todos soubessem do milagre escondido no instante em que a nota vibra no vazio, veriam que o som é um gesto adormecido, e o voo… é um poema escrito no brilho. Brilho do céu, brilho da terra, brilho da eternidade, um chamado mudo que só o sensível entende. Voar com leveza é tocar a imensidade sem jamais perder a alma que se estende. E quando finda o som, quando se cala o mundo, ainda ecoa, dentro, o que jamais se explica: a certeza de que o voo mais profundo é aquele que nasce da nota mais lírica.
No pensador.ai desde