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Frase de Marcela Albuquerque

MINHA CASA Quando percebi... Minha casa estava fria, As baratas tomavam conta de tudo Mesmo quando tudo parecia limpo. Os cômodos pareciam maiores, mais vagos, mais escuros. A água do pote onde nadavam estrelinhas de vela apodreceu. Então, o musgo tomou conta das estrelinhas. O piso branco gelado registrava apenas as marcas dos meus passos. A mudez do telefone mostrava a inutilidade do bina. Quando percebi... O pássaro parecia empalhado, A cadelinha me causava impaciência, As plantas haviam secado. Os anjos queriam fugir das molduras Como as fotografias que fugiram dos porta-retratos. Os doces permaneciam nos potes, Mas pareciam menos atrativos, menos coloridos, menos doces. O relógio havia parado. Quando percebi... Minha casa estava morrendo E eu não sabia o que fazer Porque não sabia que casas também morrem. Apática, apenas me limitei a buscar a causa mortis. Talvez já soubesse... Minha cama também sabia: sua ausência. Um feto morto no útero Pode matar a mãe.

Marcela Albuquerque

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Marcela Albuquerque

2007 e 2008 marcaram a minha vida. Naquele, morri um pouco; neste, nasci de mim mesma. Precisei morrer para me permitir nascer.
FAZ DE CONTA Quando a gente é criança, vive no mundo do faz de conta. Quando adulto, muita gente faz de conta
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FAZ DE CONTA Quando a gente é criança, vive no mundo do faz de conta. Quando adulto, muita gente faz de conta Que não enxergou o que viu, Que não escutou o que ouviu, Que é feliz, Que é importante para várias pessoas, Que é inesquecível. E se perde em tantas contas com tanto faz de conta. Mas esse faz de conta não tem magia alguma. Quando criança, ainda resta a esperança. Quando adulto, ou esquece o faz de conta Ou faz de conta que realmente viveu.

NAQUELE AGOSTO Naquele agosto, chorei tanto Que nem a mais baixa umidade deste lugar
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NAQUELE AGOSTO Naquele agosto, chorei tanto Que nem a mais baixa umidade deste lugar Seria capaz de irritar meus olhos. Naquele agosto, eu me senti secar Como o solo, o verde, as coisas deste lugar. Naquele agosto, senti uma dor tão intensa Que não sabia precisar o lugar. Naquele agosto, acabou a minha esperança De que nós voltássemos para o nosso lugar. Naquele agosto, senti o amargo do desgosto Com a poeira comum deste lugar. Naquele agosto, vi o que meus olhos não conseguem apagar: Você deitado para sempre naquele lugar. Naquele agosto, precisei loucamente de setembro Para tentar ver novamente alguma beleza nas coisas Com a chegada da Primavera.