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Frase de Carlos de Castro

⁠RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi Resisto, Porque quero E não por acaso mero, Porque sou tão teimoso Que até as pedras da rua Quando me sentem mancando Pelas dores negras e cruas Que me vão martirizando, E mostrando que nada valho, Dizem em jeito jocoso: - Que resistente bandalho! Resisti, A promessas de riquezas vãs, Prometidas por gentalhas Canalhas, com olhos de rãs; Seres avaros, repugnantes Com cartões de governantes, Sei lá por graça de quem Foi o santo que os pôs na cripta De donos de tantas parvónias Que mencioná-las irrita E revolta até também Algumas orquestras sinfónicas. Continuo a resistir, Ao meu relógio sem horas Porque só me traz a desoras, Sem saber que mal lhe fiz, As notícias mais pandoras Deste meu ledo País. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)