Frase de Danyyel Elan
Sou o sopro que aprende a existir no agora, e o tempo que em mim desaprende a correr. Hoje renasço naquilo que nunca fui embora, e celebro o infinito que insiste em ser
No pensador.ai desde
Sou o sopro que aprende a existir no agora, e o tempo que em mim desaprende a correr. Hoje renasço naquilo que nunca fui embora, e celebro o infinito que insiste em ser
No pensador.ai desde
Nem tudo que acontece precisa virar milagre, mas quase nada que nos atravessa de verdade é "sorte."
Manual do Sucesso Seja produtivo. Seja eficiente.
Manual do Sucesso Seja produtivo. Seja eficiente. Seja impecável. Seja desejável. Seja melhor que ontem. Seja melhor que os outros. Seja o que esperam. Venda sua alma em suaves prestações. Assine contratos invisíveis. Abrace a ansiedade como rotina. Engula o cansaço, sorrindo. Finja plenitude. Poste felicidade. Monetize até o seu descanso. Trabalhe enquanto eles dormem. Estude enquanto eles se divertem. Corra, corra, corra… Até esquecer pra onde ia. Sucesso é isso, não é? É se encaixar no molde, é performar perfeição, é acumular medalhas no peito vazio. Mas… e se não for? E se o verdadeiro sucesso for aprender a perder sem se perder? For ter tempo pra existir sem função? For olhar no espelho e reconhecer-se, mesmo quando não há aplauso, nem curtida, nem validação? Talvez o maior sucesso seja simplesmente ser — inteiro, imperfeito, presente.
O enigma do Bem e do Mal Se Deus existe, o mal não é um erro, mas a consequência natural de um universo onde a liberdade é real. Pois o amor, para ser puro, não pode nascer de um decreto ou de um código fechado; ele precisa florescer na terra aberta das escolhas. Onde há liberda…
O enigma do Bem e do Mal Se Deus existe, o mal não é um erro, mas a consequência natural de um universo onde a liberdade é real. Pois o amor, para ser puro, não pode nascer de um decreto ou de um código fechado; ele precisa florescer na terra aberta das escolhas. Onde há liberdade, há a possibilidade do desvio, e onde há desvio, nasce a sombra. O mal não brota do Ser absoluto, mas da distância que as criaturas tomam ao se moverem fora do fluxo da Sua harmonia. Se Deus não existe, o bem torna-se um enigma ainda mais profundo. Por que então amamos o que não nos beneficia? Por que sacrificamos o próprio bem-estar por um estranho? Por que nos inquieta o sofrimento alheio, mesmo quando poderíamos simplesmente fechar os olhos? Se tudo fosse só acaso e instinto, talvez o bem não passasse de um artifício para sobrevivência. Mas há nele algo que não se mede em utilidade: a sensação de que tocar o outro é, de algum modo, tocar a nós mesmos. E se Deus tivesse criado um universo absolutamente perfeito, talvez não houvesse mar, nem vento, nem sequer tempo. Haveria apenas Ele mesmo, indivisível e infinito. Pois a perfeição absoluta não comporta fragmentos ou distâncias; não há “fora” do perfeito. Criar algo diferente de Si é criar o relativo — e o relativo carrega em si a imperfeição, como a noite carrega a ausência do sol. No entanto, essa imperfeição não é um acidente. Ela é o campo onde a consciência pode despertar, onde o bem e o mal se entrelaçam para dar forma à experiência. Como nas tradições orientais, onde yin e yang não são inimigos, mas complementos que se alimentam e se equilibram, o universo se constrói no contraste: luz só é luz porque há sombra, e sombra só é sombra porque existe luz. Talvez o mal exista para que o bem não seja apenas uma palavra. Talvez o bem exista para que a sombra não se esqueça de que é sombra. E talvez o universo exista para que o Infinito possa, por um instante, experimentar-se no finito — e o finito possa, pouco a pouco, lembrar que veio do Infinito. No fim, perfeição e imperfeição são apenas diferentes reflexos de um mesmo espelho. Um dia, ao atravessarmos todas as distâncias, talvez descubramos que nada estava fora de lugar — e que o caminho inteiro sempre foi parte da própria perfeição.
A Arte da Necrofagia O homem já não caça. Habita corredores de luz artificial,
A Arte da Necrofagia O homem já não caça. Habita corredores de luz artificial, onde cadáveres repousam sob o brilho estéril das vitrines. Não há grito. Não há perseguição. Não há olhos fitando olhos antes do fim. A morte lhe chega limpa. Lavada em conservantes, selada a vácuo, temperada com ervas para que a consciência não reconheça o odor da ruína. E então mastiga. Mastiga distraído, enquanto conversa sobre o tempo, sobre dinheiro, sobre a próxima manhã. Como se não houvesse um corpo silenciosamente desfeito entre seus dentes. Há um necrófago refinado sentado à mesa da civilização. Usa perfume, traja linho, ergue taças em celebração sobre túmulos invisíveis. Especializou-se na arte de consumir a morte sem precisar contemplá-la. Porque o homem moderno não suporta o peso daquilo que devora. Por isso cobre o cadáver com molhos, renomeia músculos como iguarias, transforma vísceras em tradição e sangue em mercado. O abutre, ao menos, desce faminto sobre a carne exposta e não profana a verdade do apodrecimento. Mas o homem… o homem embalsama a própria cegueira e, com requinte, a serve quente no jantar.