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Frase de André Lemour

⁠Se te amo, não espero retorno. Se te toco, não peço tua pele. Se te entrego meu sentir, é porque não sei guardá-lo. Mas e se me deres o que nunca pedi? Se tuas mãos buscarem as minhas, se teu amor me encontrar sem que eu o chame, terei eu o direito de recusá-lo? ou será apenas medo disfarçado de recusa? Os braços conhecem o gesto de ofertar, mas tremem ao ensaiar o de aceitar. Dizem que amar é dar, mas talvez amar também seja permitir. Permitir que fiques, permitir que me olhes, permitir que o amor, se quiser, exista entre nós. Não sei ser amado, mas ainda assim sou. Não sei receber, mas ainda assim me oferecem. E se o amor não for uma dívida, nem um peso, mas apenas um espaço entre nós dois, um toque que não exige nada, um olhar que não pede retorno? Talvez amar também seja ficar, mesmo quando os passos tentam fugir.

André Lemour

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Pensador.com

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Inabitável tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói. achei que era o cabelo, cortei.
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Inabitável tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói. achei que era o cabelo, cortei. talvez o peito, então curvei a coluna, encolhi, escondi. talvez a roupa, mudei. talvez a maneira como me movo, falo, existo. mudei. mudei. mudei tudo que minhas mãos alcançaram. mas meu rosto não esculpe sombras no espelho, meus ombros não marcam presença no espaço. não sou pedra, não sou aço. sou frágil demais para ser quem desejo, pequeno demais para ocupar o mundo como ele exige. há marcas no meu corpo que não reconheço, ausências que gritam na pele, no reflexo. e que tipo de homem eu sou? um que luta para caber em si. eu queria carregar isso com orgulho, mas é um peso que me dobra, me afunda. meu eu por dentro grita, se debate, se agarra às grades da minha pele e implora— onde está meu corpo? onde está meu corpo? onde está meu corpo? me atraio por caras que nunca vão me ver inteiro. sei do olhar que me mede, que me nega, sei do que falta entre as minhas pernas e de como isso faz de mim um quase, um nunca. mas que culpa eu tenho? vou realizar meus sonhos. vou tocar o impossível. mas no fim, ainda serei trans. até o último segundo, até o último suspiro, a palavra nunca me deixará. mas, por quê? por quê?

Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu?
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Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu? Quão real foram os teus? Quão iludido fui eu? Quão forte bateu o peito teu? Quão vazio ficou o meu? Quão breve foi a entrega tua? Quão eterno restou em mim? Quão fácil foi a partida tua? Quão difícil é a minha? Quão leve foi libertar-te? Quão preso ainda estou?