Frase de Carlos de Castro
A MENINA E O GLOBO DE NATAL Era véspera do evento Do Natal, à última hora. A menina de sete ou oito Anos, pobre mas muito mimada, Com o seu pedido afoito, Disse ao pai duma assentada: - Quero um mundo iluminado! E o pai lá foi animado, Com alguém mesmo na hora, À procura de um globo Mais redondo que um ovo E com luz de dentro pra fora. Só na cidade o achou, Depois de tanta demora, Alguém então embrulhou Tal presente de Natal Com luz de dentro pra fora, Que parecia um arraial. A menina cresceu, Vieram os quarenta e tais... O globo resistia ao pó, Tão só, Sem lhe acenderem a luz Que ilumina os mortais, Num brilho que até seduz. É outro agora o mundo dela, Não o atirou pela janela, Nem o encerrou num nicho, Apenas e só por capricho E sem mais chus nem bus, Despachou-o para o lixo... ...E ele ainda dava luz! (Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 14-12-2023)
No pensador.ai desde