Frase de Marco A Moreira Cardoso (Marco Arawak)
Frutos Humanos Marco Arawak Se a gente fosse explicar as pessoas como frutas, ia economizar muita terapia. Ou pelo menos ia deixar o sofrimento mais organizado por categoria. A banana é perfeita. Presente, fácil, resolve tudo, não complica. Ou seja… completamente ignorada. Porque se não te dá ansiedade, você nem reconhece como interesse. A maçã é padrãozinho. Bonita, alinhada, parece saudável emocionalmente. Você morde e descobre que já estava machucada faz três relacionamentos… só bem administrada. A pera é madura, tranquila, sabe o que quer. Basicamente tudo que você vive postando que procura… e tudo que você ignora porque “não sentiu química”. Química, no seu caso, é trauma com boa comunicação. A uva é golpe silencioso. Você pega uma achando que é leve… quando vê já está emocionalmente comprometido com um cacho inteiro de problema que ninguém combinou. A cereja então… aparece pouco, fala pouco, some do nada. Você cria uma história inteira. A pessoa só mandou um “kkkk” e você já estava escolhendo nome de filho. A manga é intensidade. Chega doce, quente, envolvente. Você sabe que vai dar trabalho. Mas vai mesmo assim, com a autoconfiança de quem claramente nunca aprende. O morango é lindo. Perfeito. Instagramável. Dura menos que promessa de “vamos ver no que dá”. A melancia é animada, social, divertida. Mas na intimidade… às vezes é só água gelada ocupando espaço emocional. O melão é o primo que ninguém chamou mas apareceu. Não é ruim… mas você também não lembra por que está ali. O abacaxi tem fama de difícil que vale a pena. Na prática, às vezes é só difícil mesmo e você está insistindo porque já investiu tempo demais pra admitir que errou. O maracujá parece equilibrado. Vibe zen. Três minutos sem resposta e já está escrevendo um roteiro completo de abandono. O limão não tem filtro. Fala tudo. Machuca? Machuca. Mas pelo menos não te deixa meses tentando entender o que quis dizer com “depois a gente vê”. O coco é fechado. Muito fechado. Quando finalmente se abre… você já está emocionalmente em outro estado, com outra pessoa e outro trauma. O kiwi é o diferentão. Você julga, ignora… depois descobre que era bom e fica com cara de quem perdeu promoção por preconceito. A tangerina é envolvente. Cheiro forte, presença marcante. Mas dá trabalho, faz bagunça e deixa rastro. Inclusive na sua paz. A goiaba é sincera. Simples, direta, cheia de caroço. Não é perfeita… mas também não te faz perder tempo fingindo que é. A laranja é sociável. Fácil de gostar, fácil de dividir. Mas sempre tem uma amarga pra te lembrar que você confia demais no básico. E o abacate… o abacate não é pra qualquer um. Tem gente que prova e fala “não tem gosto”. Claro que não tem… você também não tem maturidade pra sentir. No fim, ninguém é só uma fruta. Tem dia que a pessoa está madura, no outro está verde… e ainda assim quer ser tratada como sobremesa premium. O problema nunca foi o tipo de fruta. É você ignorar as boas, correr atrás das complicadas e depois abrir o Instagram pra postar “ninguém presta”. E sejamos sinceros… você não quer algo diferente. Você quer o mesmo erro… só que com uma casca nova pra não parecer repetição.
Marco A Moreira Cardoso (Marco Arawak)
No pensador.ai desde