Frase de Carlos de Castro
CORUJA NA NOITE Ave agoirenta que pela noite cantas O teu chorar negro e triste, piedoso, Ó coruja bruxa, és só tu que espantas O meu sonhar tornado em teu gozo. Nunca o presságio da morte Seja o teu piar fúnebre de sorte; E que eu viva sem ser soturno Como esse teu gritar noturno. Tens sibilas de assobiar Medos e enredos de arrepiar, Nos ares e arfares intranquilos Das profundas dos pulmões, Ó coruja dos meus sarilhos, Castradora de emoções. Não me queiras comer vivo Que apenas sou um nativo Das correntezas da noite, Tela escura, meu açoite, Chicote nas minhas costas, Em carne viva às postas. Não esperes amores de mim Ó coruja malhada das torres, Eu só queria no meu fim Não ouvir o teu piar, Esse tão sombrio cantar, Ó ave das minhas dores. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-01-2024)
No pensador.ai desde