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Frase de Carlos de Castro

CORUJA NA NOITE ⁠Ave agoirenta que pela noite cantas O teu chorar negro e triste, piedoso, Ó coruja bruxa, és só tu que espantas O meu sonhar tornado em teu gozo. Nunca o presságio da morte Seja o teu piar fúnebre de sorte; E que eu viva sem ser soturno Como esse teu gritar noturno. Tens sibilas de assobiar Medos e enredos de arrepiar, Nos ares e arfares intranquilos Das profundas dos pulmões, Ó coruja dos meus sarilhos, Castradora de emoções. Não me queiras comer vivo Que apenas sou um nativo Das correntezas da noite, Tela escura, meu açoite, Chicote nas minhas costas, Em carne viva às postas. Não esperes amores de mim Ó coruja malhada das torres, Eu só queria no meu fim Não ouvir o teu piar, Esse tão sombrio cantar, Ó ave das minhas dores. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-01-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)