Frase de Paloma Brito
AMOR MEU, QUIMERA Quando meus olhos encontraram os teus, amor meu, pela primeira vez Imaginei flutuar num mar cálido, acima das bestas esfomeadas Que tentavam alcançar meus pés nus com dentes arreganhados Que surpresa tive eu, amor meu, ao tornar-me uma besta parecida àquelas Entregando-me à tortura e deleite de tua conquista Expectativas e apetites invadiram meu âmago E o reflexo mostrava que era tão ambiciosa quanto as vis criaturas Tua voz despertava em mim anseios que não me atrevi a resistir Ávida por ti, capturava cada um de teus suspiros hesitantes Não me contentei! E a dor de tocar o fogo sombrio da tua alma Queimou a nós dois, amor meu Amor meu, o que faria sem ti? Eu me perguntava Nunca permiti que tal resposta surgisse para assombrar nosso júbilo Mas a verdade, eu sabia, nos espreitava com o olhar devorador E logo o inevitável, voraz, destruiu o tranquilo castelo utópico que construí Quando te perdi, amor meu, que agonia senti! Afoguei-me em saudade, perdi-me nas lembranças de tuas palavras Belas, simples e fascinantes. Como poderia não te cobiçar? Tornei-me folha ao vento e grito interminável que dava por ti me rasgava Pouca lucidez me restara. Amor meu, por que tinhas de partir? Tua ausência jamais abandonou minha carne flagelada De nós dois apenas cinzas sobraram. Estavam em minhas mãos, em minha boca E então tive que admitir o que mais abominava… Tu também eras besta, amor meu, por me fazer sofrer tanto por ti.
No pensador.ai desde