Frase de Wikney Edson
"O céu urgia em maltratar-me, nas primeiras horas da manhã, daquele dia chuvoso de inverno. Dormira muito mal naquela noite; durante a madrugada, nos raros momentos em que a atroz tempestade, deu-me uma trégua, eu sonhei com ela. Quando os trovões, rugiam sobre mim, eu despertava ao gritos, atônito, desesperado, procurando por ela, em meio a lençóis vazios. Completamente encharcado, eu não sabia diferir, o que era chuva, o que era suor e o que era lágrima. Mas em minha própria cama, eu me afogava. Quisera eu, que meu afogamento, se desse pelas águas. As lembranças, foram o que me afogara. Cada beijo, cada toque, cada palavra. Eu lembrava e mais, eu afundava. Cada gota, que pingava do telhado do meu velho casebre, parecia, em demasia, com minhas lágrimas. Lembravam a ampulheta da minha vida. Cada gota, que no meu chão de madeirite se desfazia, a minha vontade de viver, com ela ia. Perdão Deus, por não conseguir enfrentar as intempéries da minha vida. Deverei ceifá-la, talvez seja essa minha missão, quiçá, minha sina. Tentei o velho pescador, nem ele, sábio como és, conseguira desviar a minha finda. Talvez, o melhor que posso deixar para esse mundo é minha morte, o amor que sinto por ela e minhas palavras vazias. Logo hoje meu Pai, eu não merecia. Mas a madrugada me maltratou tanto, e o céu urgia. Não sou capaz de viver sentindo o cheiro dela, em cada flor, em cada perfume, em cada brisa. Já me chamam, O Velho do Casebre, já deram sentido, à uma existência vazia. Fui obrigado a abrir mão dela, então de bom grado, hoje, abro mão da minha vida. Perdão Cristo, mas essa é a minha sina. Espero que a corda, que agora amarro em meu teto, consiga suportar o peso, das minhas feridas..." - EDSON, Wikney - Memórias de Um Pescador - A Carta de Despedida
No pensador.ai desde