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Frase de NandaaGoncalves

Aquela Noite Era tarde, mas o mundo parecia calmo, a rua deserta, só nossas sombras no asfalto. Andávamos devagar, como quem não quer chegar, e as palavras vinham soltas, sem pressa pra acabar. Eu fumava, como sempre, ele não — já tinha deixado. Mas por uma noite, por mim, ele pegou um cigarro calado. Entre tragos e risos baixos, falávamos de tudo e de nada. O tempo parecia suspenso, como a fumaça entre nós espalhada. O cigarro tremia em seus dedos, mas o olhar... ah, o olhar era firme. Não era sobre nicotina ou vício, era sobre estar, por inteiro, comigo naquele crime. Talvez tenha sido um gesto bobo, mas ali, eu entendi tanta coisa. Tem amor em cada renúncia breve, em cada entrega silenciosa e corajosa. A brisa levava a fumaça, mas a lembrança ficou no peito. Naquela rua, naquela noite, foi quando tudo pareceu perfeito.

NandaaGoncalves

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Pensador.com

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Chá de laranja Estou gripada de novo, lençóis frios, nariz cansado, e nessa febre que arde em silêncio me lembro do teu cuidado. Você fazia um chá de laranja com um jeito que só você tinha. Nem era só o sabor, era o calor da tua mão na cozinha. Era doce, era forte, era cura, e eu, doente, me rendia. Hoje faço igual, passo a receita, mas nunca fica como naquele dia. Falta o modo como mexia a colher, a pausa pra ver se estava bom, o carinho que você punha antes de me entregar na xícara o dom. Agora, só sobra o silêncio e a saudade em infusão. O chá não cura, só lembra o gosto da tua proteção.

Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos…
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Encontro em Silêncio Cruzei teu caminho, sem aviso, os olhos se tocaram, indecisos… e o tempo, cúmplice, desacelerou, como quem insiste em eternizar um adeus. Teus cabelos negros, em suaves espirais, os lábios entreabertos, quase um sinal… os olhos castanhos, profundos demais, e eu… me vi neles, frágil, mortal. Por um instante, meu peito incendiou, a chama antiga, que ainda respirava, mas o passado, cruel, logo soprou… e o fogo, sem força, se apagava. O tempo então retomou seu compasso, meu coração, trêmulo, quis te chamar, mas restaram só lágrimas, em silêncio escasso, e a mentira que tentei me contar: — "Isso é passado." Mas quem eu quero enganar… se teus olhos ainda sabem me quebrar?

Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente,
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Retratos que sangram As horas sussurram nomes antigos, ecos que dançam na bruma da mente, vestígios de dias já idos, que o tempo levou… lentamente. Há risos que ainda se escondem nos cantos, e passos que o chão já não guarda, rostos sumindo em retratos cansados, num tempo que nunca mais tarda. Tocava teu nome com dedos de sol, num mundo onde o céu era perto, agora só vejo o vulto do ontem, num espelho partido e deserto. As lembranças vêm como maré, invadem, consomem, machucam, e eu, náufrago de mim mesmo, nas ondas do que já foi, me afundo e sucumbo. Se pudesse, voltava no tempo, pra dizer o que o silêncio calou, mas memórias não têm retorno… só cicatrizes que o peito guardou.

⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava.
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⁠Vestígios de Nós Havia sol nos teus olhos, mesmo quando o céu desabava. Teu riso era abrigo, onde minha dor se calava. Andávamos entre promessas com a leveza dos que acreditam. Mãos dadas, almas nuas, no silêncio em que os corações gritam. Mas o tempo, esse ladrão discreto, roubou os minutos mais doces. E o que era eterno em nós se perdeu em caminhos tão tolos. Guardei tuas cartas no peito, com cheiro de tardes antigas. E às vezes, sem que eu queira, meus sonhos ainda te digam. Não por falta de amor, mas por excesso de destino, fomos dois versos soltos, no meio de um mesmo hino. Hoje, te vejo nas esquinas onde a memória se esconde. E amo o que fomos um dia, com a ternura de quem não responde. Porque amar também é deixar, e seguir com cicatrizes sutis. Alguns amores não ficam… mas permanecem — e nos fazem mais gentis.