Frase de Roberto dos Santos Vaz
A esperança é a última que morre.... mas infelizmente morre mesmo.
No pensador.ai desde
A esperança é a última que morre.... mas infelizmente morre mesmo.
No pensador.ai desde
O casamento é um laço escravagista; jamais fui indagado por sair para trabalhar, mas quando resolvo sair para a diversão ressurge o tronco e a chibata,
A cirurgia mais perfeita que há para um ser humano é a que tira de sua alma as nódoas da vida. Mágoa: sintoma de futuro câncer. Fúria: infarto garantido.
A cirurgia mais perfeita que há para um ser humano é a que tira de sua alma as nódoas da vida. Mágoa: sintoma de futuro câncer. Fúria: infarto garantido. Ódio: psicopatia irreversível. Inveja: incapacidade afetiva e social. Mesquinhez: solidão e síndromes exóticas (pânico, claustrofobia, etc.) Trate-se, desprenda-se e viva. Não estamos imunes aos ataques do dia a dia que proporcionam os sentimentos acima. Crie uma redoma e vejo o mundo como um espetáculo, como um filme. Participe, assista, mas não interaja. Livre-se da contaminação, opere sua alma. Quando tirares da alma as impregnações e nódoas estarão livres, saudáveis e com a visão clara. Em resumo, nós causamos nossos males e às vezes não percebemos isso. A vida e curtíssima e temos que operá-la sempre que necessário.
O charme é a fortuna de poucos eleitos, que muitos afortunados jamais poderão comprar.
Nhá Bába A querida Nhá Bába, era uma senhora magra e alta, negra e beirando uns 100 anos. Era minha vizinha no Parque Edu Chaves, uma das vilas do folclórico bairro do Jaçanã, bem na divisa de Guarulhos, aqui em São Paulo.
Nhá Bába A querida Nhá Bába, era uma senhora magra e alta, negra e beirando uns 100 anos. Era minha vizinha no Parque Edu Chaves, uma das vilas do folclórico bairro do Jaçanã, bem na divisa de Guarulhos, aqui em São Paulo. Quando criança, o bairro era uma fazenda que vinha se apovoando. Tinha gado, mato, riachos, muitas árvores e um crescente número de pessoas novas que vinham na oportunidade de adquirir seus terrenos e construir suas casas. Era o início dos anos 60, pois o Presidente Kennedy ainda não havia sido assassinado. A Avenida principal, onde eu nasci, era a única que recebera por aqueles dias um calçamento de paralelepípedos. Eu morava em uma casa em uma das esquinas da Avenida principal, a qual ainda é nossa, da família. Nhá Bába. Vejam bem: em 62 eu tinha 6 anos e a Nhá Bába quase 100. Voltando a ela, era muito bonita considerando a idade que tinha. Magra e alta, perto de 1,80m, vestia-se sempre com vestidos longos, alvos e soltos. Jamais a ví sem um turbante. No bairro, os terrenos eram todos grandes, quase todos com no mínimo 50 mts de fundo e com a testada não inferior a 10 mts. A casa da Nhá Bába era de madeira, como aquelas que vemos ainda em Curitiba ou nas cidades do Mato Grosso do Sul; bonitas e bucólicas. Nhá Bába sentava-se sempre no terreiro, debaixo de uma Palmeira centenária e de bom papo, conversava todas e todas as tardes com a vizinhança. Falava dos seus pais, das suas lembranças em Minas, da fazenda onde nasceu e cresceu, dos irmãos sumidos, dos filhos mortos. Falava da imensa alegria por estar morando em São Paulo. Era uma figura impar. Fumava um cachimbo de barro e benzia a criançada com tosse comprida, íngua e quebranto. Muito plácida, parecia ser a conselheira das jovens mães, pois na época minha mãe não tinha mais que trinta anos, considerando-se os oitenta e um que ela tem hoje. Naquele terreiro da casa da Nhá Bába, tinha galinha, muito passarinho e um aconchego de casa de vozinha. Nem cerca tinha a casa da Nhá Bába. Sei que morar lá e perto da casa da Nhá Bába marcou muito a vida das pessoas. Eram anos dourados. Quando chovia tinhamos no ar aquele cheirinho de mato molhado; escutávamos nos riachos que eram límpidos o canto da saracura. Não havia maldade. Todos, desde os mais idosos, como os mais novos tinha espírito de criança. As tardes eram mais coloridas e as familias mais unidas. Os vizinhos, como a Nhá Bába, eram parte das nossas familias. Todos se cotizavam por alguém doente, por ajudar um amigo. Fazia-se bolo e mandava-se sempre um pedaço à casa do vizinho. Foi da casa da Nha Bába que tive o primeiro contato com a Festa de Reis. Muitos de seus parentes, outros velhos negros do bairro, cultivavam o folclore já praticamente desaparecido da cidade. Rezava-se a novena em um santuário na Casa da Nhá Bába, com praticamente todas as mães do bairro. Nhá Bába transmitia tanta dignidade que jamais poderei esquecer daquela figura maravilhosa, uma rainha negra que tive a oportunidade de conhecer.