Frase de Carruna Maral
Intermitente Saudade do presente Não há, certamente Porque, nesse tempo Tudo é passado Insanamente Há quem transporte para frente Mas como transportar para o inexistente? Certamente, um demente Num desarranjo mental O enfermo morreu Transpondo na faísca do presente Um passado de futuro idealizado Incólume da realidade externa Não percebeu suas projeções Resgatadas no sopro da vida Imediatamente devolvidas ao passado Falemos, então, dos vivos-ainda-vivos Com a centelha do presente divino Acessam os registros dos retratos do passado E criam a expectativa de mais uma chispa para si Dentre estes, os prudens Detentores do elementar dos sábios Em constante aspiração Potencializam a expectação Agora, falemos do hoje O hoje não existe; alias, nem o presente Quimera para unir a fagulha da vida E os recentes registros do passado A saudade… sublimes lembranças – mera abstração Gatilhos à espera de um estímulo A droga é liberada Passa; surge então a abstinência Os tempos verbais são artifícios O passado, passou O presente é um presente – é a centelha divina da vida O futuro é a expectativa de um novo presente Na eternidade, o permanecer cessa Quando cessa a centelha O retornar surge Quando surge a centelha Talvez sejamos vaga-lumes A piscar numa constante No apagar de cada instante Infinitos flagrantes.
No pensador.ai desde