Frase de Lúcia Fonseca
TEMPO Vê-se a noite. Os relógios calam. Um pêssego apodreceu no aparador. O tempo põe manhãs nos dias, flores em cada primavera, o que se vê é a morte. E flores roxas como gritos, insônias e febres. A criança constrói de espanto balbucio e olhar, constrói de leite pétalas internas. Os relógios calam. A vida nos vive, garganta aberta. E a luz que pousa sobre a lua vai perseguida por um véu de sombra — caçada. O tempo põe manhãs nos dias, flores em cada primavera. Um pêssego apodreceu no aparador. O que se vê é a morte. Os relógios calam.
No pensador.ai desde