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Frase de Priscila A. Oliveira

Encontrava-me exausta. Tudo até então não havia passado de uma longa caminhada. Percorri por muito tempo estradas estreitas e escuras até bater à sua porta. Trazia nos pés as feridas resultantes de cada tropeço e, na face, os sinais provocados por cada decepção que cruzou meu caminho. Você, mais por descuido que por compaixão, ofereceu-me abrigo. Acolheu-me, alimentou-me, matou minha sede e tratou minhas feridas, deixando que eu dormisse ao seu lado. E eu, pouco a pouco, mais por descuido que por inocência, comecei a acreditar que finalmente havia encontrado a minha pousada. Atrevi-me a desfazer as malas, repousando em suas prateleiras tudo que acumulei ao longo da jornada: Cada dor, cada mágoa, cada lágrima, cada objetivo não concretizado E ousei sorrir... Os pés, já sem feridas, ousaram dançar, plenamente realizados por caminharem ao seu lado. Aproveitei-me dos dias mornos, banhados numa felicidade efêmera, dando-me o direito de sonhar. Mas um dia, ao acordar, pude ver num canto do quarto minhas malas feitas, e pelo zíper entreaberto notei que nelas você havia colocado, meio sem cuidado, tudo aquilo que estava nas prateleiras... Mas, engraçado, as malas pareciam bem mais cheias do que antes! Me fez calçar novamente os sapatos e os pés reconheceram imediatamente cada uma das antigas bolhas. Despediu-se de mim com um beijo na testa, indicando-me a porta da rua. E eu, mais uma vez, pus-me a caminhar, aceitando o destino que não pude escolher. Chovia muito. As alças das malas de outrora, muitíssimo mais pesadas agora, pareciam querer cortar-me as mãos. Olhei pra trás, na esperança de encontrá-lo na soleira, vendo-me partir e me afastar ao longe, Mas a porta da sua casa, fria e imóvel, já estava fechada...

Priscila A. Oliveira

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Pensador.com

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A gente sempre acha que vai ter mais tempo E teima em encaixar no futuro os pedaços de nossos sonhos. Mas de forma silenciosa e sorrateira
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A gente sempre acha que vai ter mais tempo E teima em encaixar no futuro os pedaços de nossos sonhos. Mas de forma silenciosa e sorrateira Os dias, os meses, os anos passam Justamente enquanto estamos distraídos E é quando menos esperamos Que o tempo simplesmente se esgota Sem que sequer tenhamos nos dado conta daquilo que, Por puro capricho, Ele travessamente nos fez deixar para trás.

Somos orientados ao longo da vida a criar escudos contra aquilo que possa nos ferir de alguma forma - Não beba gelado, não ande descalço, saia agasalhado, alimente-se bem, Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, dirija com cuidado, não fale com estranhos...
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Somos orientados ao longo da vida a criar escudos contra aquilo que possa nos ferir de alguma forma - Não beba gelado, não ande descalço, saia agasalhado, alimente-se bem, Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, dirija com cuidado, não fale com estranhos... Mas há coisas que não aprendemos com nossos pais, lições que não são ensinadas nas escolas, Não há universidades, cursos de especialização, não constam de livros. Há ensinamentos que a raposa se esqueceu de ensinar ao Pequeno Príncipe. Nada, nem ninguém, nos prepara para aquilo que machuca mais - A perda de um ente querido, o fim de um relacionamento, a distância, a ausência, a saudade... Tudo aquilo que fere tanto a nossa alma... Ninguém nos ensina a superar, evitar, esquecer, relevar as dores que doem mais. Os amigos nos aconselham, os familiares nos previnem, os terapeutas nos alertam, Mas não há um guia prático de “como adormecer uma noite com o coração em prantos e acordar no dia seguinte sem qualquer rastro daquilo que nos devastou por dentro”. Passar a vida criando escudos não nos resguarda dos maiores sofrimentos. Pois se nem ao menos a rosa, cingida de pontiagudos espinhos, consegue evitar sua colheita, O que há de prevenir nosso coração de SENTIR?