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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

O A DOIS E O ADEUS Demétrio Sena, Magé – RJ. O desenlace matrimonial significa a imediata ou gradual divisão de bens, afetos e opiniões. Raras vezes, nem há divisão de bens, mas de afetos e opiniões é tão certo quanto o nascer e o pôr do sol. A cada um, cabe uma parcela de amigos; um pedaço do filho – ou de cada filho –; alguns parentes de lá e de cá e determinadas opiniões contrárias e favoráveis. Pagamos pelo enlace, um preço que se apresenta em formas de problemas inéditos, contas, aborrecimentos, surpresas em relação ao caráter do outro e desgastes que só o amor justifica em seus desempenhos e na própria existência, pela qual tudo vale a pena. Quando vem a separação, o preço é muito maior. Não há como escapar dessa espécie de multa por quebra contratual, devolução ou não cumprimento daquelas juras de amor eterno. De ferida em ferida vamos nos curando em novos ‘negócios afetivos’, de natureza romântica/matrimonial ou não. Algumas vezes retomamos os afetos rompidos, com novas juras e perspectivas mais realistas a nosso ver. Há que se ter muita coragem para começar, interromper, tomar novos rumos, retomar os rumos interrompidos ou assumir definitivamente a solidão. Sabemos de antemão que a promissória virá, seja qual for o caso. Tudo é vida e viver acumula consequências. Temos que arcar com todas elas e não adianta nem pensarmos em fugir. Também não adianta nos fazermos de mortos, pois pagaremos os preços, mesmo dos atos não praticados e daquelas escolhas não feitas. Pecaremos eternamente por comissão, omissão, até por suposta inocência ou neutralidade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.