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Frase de Carlos de Castro

TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS ⁠Para mim, não há ano novo Civil, religioso ou profano, Quando a fome ataca o povo No pântano em que me movo, Neste mundo demais insano. Quem elaborou o plano Das horas e do calendário Que rege o mundo, afinal? Dizem que foi um mortal Quiçá um gregoriano, Papa, de certeza com papa Garantida todo o ano. Vieram os contadores dos tempos Em épocas bem mais remotas, Babilónias, Egípcias e Chinesas E para maiores certezas Perguntem lá ao Hiparco, O grego que não Aristarco, Nas matemáticas catedrático, Se há justiça no relógio Que marca sem sortilégio Eu ter de me levantar, Às três e meia da matina Há trinta anos volvidos, Matadores dos meus sentidos Feita já minha doutrina. Pobre o povo que continua Sem ver o sol nem a lua, Em dias e noites sem nevoeiro. Não há cesto sem cesteiro, Um dia, irá ser o primeiro Da revolta Presa ou solta, Do teu ano, por inteiro. Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)