Frase de Carlos de Castro
TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS Para mim, não há ano novo Civil, religioso ou profano, Quando a fome ataca o povo No pântano em que me movo, Neste mundo demais insano. Quem elaborou o plano Das horas e do calendário Que rege o mundo, afinal? Dizem que foi um mortal Quiçá um gregoriano, Papa, de certeza com papa Garantida todo o ano. Vieram os contadores dos tempos Em épocas bem mais remotas, Babilónias, Egípcias e Chinesas E para maiores certezas Perguntem lá ao Hiparco, O grego que não Aristarco, Nas matemáticas catedrático, Se há justiça no relógio Que marca sem sortilégio Eu ter de me levantar, Às três e meia da matina Há trinta anos volvidos, Matadores dos meus sentidos Feita já minha doutrina. Pobre o povo que continua Sem ver o sol nem a lua, Em dias e noites sem nevoeiro. Não há cesto sem cesteiro, Um dia, irá ser o primeiro Da revolta Presa ou solta, Do teu ano, por inteiro. Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)
No pensador.ai desde