Frase de Leonardo R. Pessoa
Tamoatá Tamoatá não é só um peixe, é uma palavra que aprendeu a andar. Inventou pés onde só havia barbatanas, carrega no casco histórias que desafiam o seco e planta memórias no fundo das lagoas vazias. Quando a água foge, ele permanece. Não se assusta com a ausência, seu sonho o umedece. Respirar fora d’água é a poesia do Tamoatá: ele mastiga o ar como quem se alimenta de esperanças. É peixe do mato, de água pouca e chão úmido, veste o barro como quem carrega sua pele. Faz-se rio onde só há poeira, e, no silêncio das várzeas secas, aprendeu a ouvir a fala das poças. Tamoatá é peixe caipira, conhece o mato como quem conhece o caminho de casa. Ele não tem pressa, faz do brejo um campo de repouso. Com seus pés de peixe, planta passos na terra molhada, ensinando ao tempo a ser lento, a ser raiz. Ele prova que, fora da água, a vida também tem suas correntes, mesmo que sejam mais lentas.
No pensador.ai desde