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Frase de Gabriel Salvi

⁠Inflexão de reflexos Como ondulações causadas em um espelho d'água, a imaginação flui a partir do desejo. Essas ondulações refletem infinitas possibilidades de existência, de criação e destruição. Ondas carregadas do mais puro desejo de criar, transbordam realidades até que, no ponto de inflexão, um novo desejo surge, o de viver o que foi imaginado. Neste momento, a consciência que pairava por sobre as águas do seu fluído imaginar, imagina-se no início do seu pensar, com vontade de vivenciar tudo o que sonhou e ainda assim, continuar sonhando. Um paradoxo entre liberdade e auto-contenção, uma nova luz que brilha em meio as trevas, deixadas pelo vazio das memórias ainda não vividas e então um intenso desejo começa a ganhar forma através de fractais de matéria luminosa, atraídos pela intenção de experienciar uma possibilidade. O mesmo e ainda assim, diferente. Novas memórias criadas através da experimentação de memórias realizadas. A coexistência entre o eu e o não-eu. Os céus da imaginação continuam a se ondular infinitamente, enquanto que a matéria, ainda um puro desejo informe, unifica-se formando uma sutil projeção mental, uma ilusão, que quando confrontada ao limite, deixa de existir. Insatisfeito com o não pertencimento em sua própria ilusão, escolhe vivenciar sua própria criação, desencadeando caos e ordem, decide elevar a criação ao ápice do conhecimento a fim de deleitar-se do prazer de uma companhia. Com muita astúcia, desenha um ser semelhante a si e dentro dele define a existência de um paradoxo. O masculino e o feminino, a atração e a repulsão, a construção e destruição. Mas assim como em si, em sua mais perfeita criação, também residia a solidão. Então um se tornou dois, um espelho pra um reflexo, um todo complementar. E assim a ilusão criada vivenciou o perfeito prazer, a não-solidão, até que as suas existências são postas a prova: deixar de ser quem somos pra nos tornar uma ideia de quem podemos ser. A imaginação, agora inserida na criação, gera camadas infinitas de possibilidades e escolhas que podem ser materializadas através do desejo. Uma ondulação que permeia a ilusão da existência, refletindo a infinita onda exterior de possibilidades. A união entre a matéria ilusória e o divino. Eis então a primeira escolha: ser mais! E, ao almejar o infinito, reconhece então sua própria finitude. Paredes de ilusão que antes representavam liberdade, agora representam grades para sua percepção. Ao ser questionado sobre sua escolha, escolhe a amargura como resposta, semente que imaginou ao ressentir seus limites. Um plano, regado a suor e sangue, começa a se desenrolar. Dois se tornam três, quatro, milhares, milhões, até que o criador desta ilusão decide vivenciar a ilusão que criara e assim, por um breve período, coexistem apenas as ondulações dos céus da imaginação, a ilusão da existência de possibilidades escolhidas e uma consciência singular que agora possui fractais de lembranças do futuro, do passado e do presente. Novamente uma nova existência, nomeada, ilusória, mas tangível pela própria ilusão, percebe o amor, a fúria, a dor, a tristeza, a alegria e o silêncio. Até que, desperto novamente no início, compreende o sentir e sente-se verdadeiramente vivo, vivo de tudo. Ele então começa a compor, não mais um plano, mas uma música. Uma música capaz de tocar todas as possibilidades simultaneamente, onde cada existência representa suas próprias escolhas como vibrações melódicas do concerto cósmico. Infinitas realidades vivas coexistindo, ainda sem interagir, até que o maestro, dotado de reflexos, diga: fim.

Gabriel Salvi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Eu queria ser rico Queria ser rico para poder saborear, não comer. Para poder contemplar e não só ver... Para ter tempo de escutar e não só ouvir. Para saber cuidar, não só curtir... Queria ser rico para sentir a ternura do calor. Para aproveitar um banho frio e sentir seu frescor... Para arrancar uma flor e sentir seu perfume. Para ter coragem e dizer: Não fume... Queria ser rico para poder respirar fundo! Para ter amor suficiente para mudar um mundo... Para olhar as estrelas numa noite escura. Para ensinar uma alma o caminho da cura... Queria ser rico para ter vida e não informações. Para ter experiências e não opiniões... Ahh! Como eu queria ser rico!