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Frase de Júnior Mendes

Eu poderia começar tocando o céu. Logo em seguida, recolher os grãos de areia das praias. Durante esse recolhimento me encontraria com o mar, me deixaria atravessar por ele, invadido ser por suas forças, pela maciez de suas águas; e por seu cheiro de sal. Nessa invasão, o mar me carregaria pra junto de si; de modo paulatino me levaria, me envolveria num fluxo interminável. Me encontro submerso no mar, os peixes cruzam-me, beijam-me - alimentam-se das minhas feridas - vão me despedaçando aos poucos. Meu corpo vai entrando num processo de decomposição, as veias rompem, o sangue deságua, atrai os grandes peixes; os quais se achegam pelo cheiro, pela percepção da cor: nuance avermelhada que toma todo o mar. A morte não permeia esse lugar, não se trata disso. A alma continua plena, sóbria, o corpo todavia se inebria pela invasão das águas, pelo o beijar dos peixes que se alimentam em cada toque dos seus lábios junto a minha pele - me amam no mesmo tempo no qual me devoram.

Júnior Mendes

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A inquietude foi embora, partiu; sem dizer adeus deixou o coração. A alma respira, suspira, transpira. O amor não está no peito alçou voo - o vento levou - o largou solto no ar a amar a ventania. Quieto o dia está. A mão no rosto desliza, alisa, retira a poeira descansada. Nada d…
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A inquietude foi embora, partiu; sem dizer adeus deixou o coração. A alma respira, suspira, transpira. O amor não está no peito alçou voo - o vento levou - o largou solto no ar a amar a ventania. Quieto o dia está. A mão no rosto desliza, alisa, retira a poeira descansada. Nada diz o céu. Tenho esperança nas águas, aquelas que correm, me alcançam e me levam sem nada de mim deixar.